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Quinta, 14 de julho de 2011, 10h19 Atualizada às 13h50

Advogada divulgou escutas, família de Jean no Brasil não foi informada

Dayanne Sousa

A notícia de que o telefone de um primo do brasileiro Jean Charles de Menezes teria sido grampeado na Inglaterra surpreendeu Maria Otoni de Menezes, 66 anos, mãe do eletricista assassinado pela polícia britânica em 2005. A informação chegou à imprensa inglesa por meio da advogada Yasmin Khan, mas Maria - que vive com a família na zona rural de Gonzaga, município mineiro com pouco mais de 5 mil habitantes - garantiu a Terra Magazine que não sabia do caso.

A mãe de Jean lamentou que, com as especulações, a dor daquele tempo volte à tona. "É até bom que você me fale, a gente aqui não fica sabendo de nada". "Não queremos nem lembrar, isso traz muita dor pra gente".

Nesta quinta-feira (14), a Scotland Yard confirmou que o telefone do primo de Jean, Alex Pereira, foi grampeado pelo investigador Glenn Mulcaire, preso em 2007 por escutas feitas pelo jornal News of the World.

Segundo Khan, que falou como advogada da família ao jornal The Guardian, detalhes sobre ligações telefônicas de Alex foram encontrados em documentos de Mulcaire. Na ocasião das escutas, os primos trabalhavam em Londres.

O jornal News of the World foi fechado no último dia 10 pelo seu dono, o magnata Rupert Murdoch, depois de uma série de escândalos envolvendo escutas ilegais. O Parlamento britânico iniciou uma investigação do caso e convidou Murdoch para depor. Embora boa parte das escutas investigadas sejam antigas, a polícia procura determinar a real extensão dos crimes e pode chegar a culpar diretamente os donos do tablóide.

"Enquanto vive, 'alembra' e sofre"

O inusitado dos fatos desta quinta-feira cruza mais uma vez a família simples do interior mineiro com um grande escândalo internacional. Mas a vida na casa dos Menezes parece continuar alheia às agitações.

"Continuamos trabalhando", diz dona Maria. Barrado na Inglaterra há um ano, o primo de Jean que foi grampeado hoje trabalha em Virginópolis como operário em construções.

Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia britânica em 22 de julho de 2005 ao ser confundido com umj terrorista. À época, o Reino Unido vivia o temor de ataques após os atentados de 7 de julho do mesmo ano.

"Não vou esquecer nunca, enquanto a gente vive, 'alembra' e sofre", conclui a mãe. "Mas o sofrimento da perda não acabou com a força da gente".

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AFP
Maria Otoni de Menezes, em foto de 2008

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