Terra Magazine

 

Sábado, 30 de julho de 2011, 09h01

Suplicy confirma pré-candidatura em SP e defende prévias

Eliano Jorge

A corrida eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, com um ano de antecedência, espalha nomes dentro do PT. A possibilidade de uma briga interna, porém, engrossa o coro por um acordo sem o desgate de uma votação prévia.

O congresso do partido, em setembro, avaliará um projeto de criar um mecanismo para decidir se devem ser realizadas prévias, como deseja a cúpula petista.

- Avalio que a prévia é um instrumento muito democrático, previsto no estatuto do Partido dos Trabalhadores, e que pode ser colocado em prática de uma maneira construtiva, harmônica e respeitosa entre todos os candidatos, assim como os militantes - afirmou o senador Eduardo Suplicy em entrevista a Terra Magazine.

Manifestada em eleições anteriores, essa opinião do parlamentar se mantém inclusive devido a sua vontade de concorrer na capital paulista em 2012.

- Já anunciei que me coloco à disposição do partido e sou pré-candidato, portanto. Acho que os debates públicos entre os pré-candidatos podem ser realizados da maneira mais construtiva, respeitosa e inclusive com o compromisso, que eu desde já assumo, de apoiar aquela pessoa que vencer a prévia no partido.

Suplicy sabe que diverge de correligionários influentes.
- A preocupação de alguns importantes membros do Partido dos Trabalhadores, seja o próprio ex-presidente Lula, seja o secretário (geral da Presidência da República) Gilberto Carvalho, que mencionou que a prévia poderia ser um desastre, acho que não leva em conta que ela pode ser realizada de maneira muito positiva.

Destacando a importância do assunto, ainda acrescentou:
- Acredito que uma decisão responsável da parte da direção do Partidos dos Trabalhadores deve envolver a possibilidade de todos aqueles com potencial para dar o melhor para o Partidos dos Trabalhadores e serem candidatos.

Lista vermelha

Entre os concorrentes, "valores de grande expressão", o parlamentar citou sua ex-esposa e senadora Marta Suplicy; os ministros Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia; Fernando Haddad, da Educação; os deputados Arlindo Chinaglia, Jilmar Tatto e Carlos Zarattini. "Além de outros que poderiam colocar seu nome, como (o ministro da Justiça) José Eduardo Martins Cardozo, (os deputados) Paulo Teixeira, Rui Falcão, Cândido Vaccarezza, Devanir Ribeiro", acrescentou.

Obviamente, ele defendeu sua pré-candidatura. "Acho legítimo que meu nome também possa ser considerado", declarou. "Em 2006, quando pela terceira vez fui candidato ao Senado, obtive 8.896.807 votos, correspondendo no Estado a 48% e no município a 51,37% dos votos. Ou seja, a maioria absoluta dos votos", argumentou, com os números decorados.

- Sou a favor da realização de prévias sempre que haja diversos pré-candidatos, como é o caso agora, de muito boa qualidade, porque avalio que é a maneira mais democrática de tomarmos a decisão a respeito.

Na sua visão, o risco de um racha na sigla seria evitada com o compromisso dos pré-candidatos em apoiar o vencedor das prévias, conclamando suas bases.

- Diferentemente do que alguns têm observado, a não realização de prévias às vezes pode não ser benéfica do ponto de vista de animar a militância, todos os filiados, para que colaborem com aquele que vencer a prévia.

Ele ainda recorreu às eleições presidenciais americanas de 2008:
- Tivemos um exemplo notável internacionalmente, de uma prévia entre os senadores (republicanos) Barack Obama e Hillary Clinton. Ambos participaram de 21 debates públicos, em todas regiões dos Estados Unidos, transmitidos nacionalmente e internacionalmente. Foram brilhantes, se portaram de boa maneira.

Veja também:
» André Vargas: Petistas estão constrangidos e indignados com Jobim
» Siga Bob Fernandes no twitter

 
Celso Akin /AgNews
O senador paulista Eduardo Suplicy, do PT

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol