Terra Magazine

 

Terça, 2 de agosto de 2011, 14h12

Dilma avisou a interlocutores: quer Haddad candidato em SP

Marina Dias


A presidente não quer dois de seus ministros se movimentando para
a campanha do ano que vem (Foto: Reuters)

As negociações para decidir quem será o candidato à Prefeitura de São Paulo em 2012 começaram a esquentar desde cedo no PT. E mais: com desdobramentos dentro do Palácio do Planalto. A presidente Dilma Rousseff já comunicou a figurões da alta cúpula do partido que não quer dois de seus ministros se movimentando para a campanha do ano que vem. E Dilma já fez sua escolha. Para ela, o candidato deve ser o ministro da Educação, Fernando Haddad, enquanto o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, permanece no cargo para ganhar força até 2014, quando deve se candidatar ao governo de São Paulo.

O recado foi dado depois que muitos nomes surgiram como possíveis pré-candidatos do PT, como os dos deputados Carlos Zarattini e Jilmar Tatto e os dos senadores Eduardo e Marta Suplicy - todos declararam publicamente disposição para concorrer no próximo ano. Somam-se a eles Mercadante e Haddad. O primeiro, com apoio de grande parte dos onze vereadores da bancada do PT na capital paulista e de integrantes do Diretório Municipal do partido. O segundo, com o mais importante cabo eleitoral: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O mais natural, no entanto, é que os nomes de Marta e Haddad despontem como favoritos. O PT quer evitar as prévias e trabalha por uma decisão de consenso, mas sabe-se que a rejeição à senadora cresceu entre os petistas. Um dos motivos: cicatrizes da campanha de 2010, em que Marta iniciou sua corrida ao Senado tentando descolar sua imagem da de Aloizio Mercadante, então candidato ao governo paulista. Marta pertence à tendência Novo Rumo, que representa 35% do PT em São Paulo, mas mesmo alguns parlamentares do grupo, antes ligados a ela, dizem que não a apoiariam numa possível disputa interna.

Oficialmente, o presidente municipal do PT, o vereador Antonio Donato, conhecido como Donato, assume posição neutra frente aos desdobramentos para 2012. Em entrevista a Terra Magazine, ele afirma que o partido tem até o mês de dezembro para definir um nome. "Não temos pressa. Esse é um processo cuidadoso e não queremos nos precipitar. Serão necessárias muitas discussões, que irão afunilar as opções até conseguirmos unidade em torno de um nome", explica.

E é para gerar esse tipo de discussão - e até a desistência de alguns no meio do caminho - que começam neste primeiro fim de semana de agosto as chamadas "caravanas" nos diretórios zonais do PT. Serão 36 reuniões até outubro, com início na zona leste. "Os pré-candidatos são convidados a falar, como uma espécie de teste de popularidade entre a militância", diz Donato.

Nos bastidores, porém, sabe-se que o presidente estadual do PT paulista, Edinho Silva, assim como o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, muito ligado a Lula, e o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira, já conversam com lideranças e parlamentares em favor de Haddad e repassam, periodicamente, o resultado de suas articulações para o atual ministro.

Desafio

Mesmo com esse time em campo, e o apoio de Lula e Dilma, importantíssimos, é claro, o ministro da Educação tem ainda um longo caminho a percorrer. Haddad precisa convencer o partido de que é o melhor nome para disputar as eleições no próximo ano e mostrar capacidade de articulação com as lideranças, empolgar os parlamentares e decolar nas pesquisas. "Ele precisa se viabilizar, porque é distante da militância e do dia a dia da capital paulista", afirma Donato.

Em São Paulo, nenhum dos onze vereadores petistas apoia a candidatura de Marta Suplicy, e a maior parte deles ainda não foi convencida de que Haddad é a melhor opção. Eles sonham com uma candidatura de Aloizio Mercadante que, diante da opinião da presidente Dilma, está cada vez mais distante.

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