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Sábado, 13 de agosto de 2011, 08h02

Os dois melhores presentes aos pais

José Luiz Teixeira
De São Paulo

A se confiar na Wikipédia, o Dia dos Pais surgiu há quatro mil anos, na Babilônia, quando um jovem produziu uma placa em argila para homenagear seu progenitor.

Mal sabia ele que esse pequeno retângulo "de massinha" iria se replicar milhões de vezes pelo mundo afora, nas escolas de nossos filhos.

É a primeira grande obra dos pequenos, tão logo aprendem a moldar e a rascunhar o alfabeto.

Que pai não recebeu uma dessas em sua vida? Embrulhada com papel e fita, a homenagem é dada na própria sexta-feira, ao chegar da escola.

Pode até haver, mas não conheci rebento de três, quatro, cinco anos, capaz de manter a surpresa até a hora do almoço de domingo.

Depois do primeiro filho, a surpresa não existe mais, pois se sabe de antemão que a escola providenciará as mesmas atividades nas mesmas efemérides.

Não é, também, um presente original, visto que todos os amiguinhos e amiguinhas levam para casa praticamente a mesma prenda.

Nem por isso deixa de ser comovente; é o primeiro melhor presente que recebemos dos filhos na vida.

O segundo, quando nos oferecem, depois de crescidos, algo comprado com o dinheiro do próprio bolso.

Nesse caso, quando eles já trabalham e garantem seu próprio sustento, é sinal de que cumprimos nossa missão.

Educamos-os bem e agora, independentes, são donos de sua própria vida e, podem, inclusive, nos dar um pouco de sossego; afinal, não é nada fácil criar e educar filhos desde o berçário até a faculdade.

O preço da mensalidade escolar, da natação, a mesada para o lanche, as roupas, o Mc Donalds, as viagens, a febre alta à noite, as chegadas de madrugada...

Enfim, ser pai (e mãe, também, obviamente, prezadas leitoras) não é tarefa fácil nem breve; chegar ao fim dessa jornada é uma espécie de missão cumprida.

Mesmo assim, em datas como a deste domingo, dá vontade de voltar no tempo, passar pelas mesmas dificuldades e contratempos daqueles tempos em que eles ainda eram pequenos.

Confesso: começaria tudo de novo, ainda que mais não seja, apenas para ver um dos meus filhos chegar da escola com aquele presentinho nas mãos ainda sujas de tinta.

Impossível imaginar sem sentir um aperto no peito aqueles olhinhos brilhantes, o sorriso dos dentes de leite e o bracinho estendido lhe dando o pacotinho carinhosa e delicadamente mal embrulhado, contendo a tal plaquinha de argila na qual sincera e orgulhosamente escreveu "Te amo papai".

José Luiz Teixeira é jornalista. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou em diversos órgãos de imprensa, entre os quais as rádios Gazeta, Tupi e BBC de Londres, e os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Folha da Tarde.

Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br

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José Luiz Teixeira: "Ser pai não é tarefa fácil nem breve"

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