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Sexta, 26 de agosto de 2011, 08h13 Atualizada às 11h24

Mino Carta: "Lula fez 20% do que poderia, mas já é um assombro"

Bob Fernandes

Mino Carta não borda, mas pinta, escreve, e cozinha. Os pratos, quem já provou sabe serem magníficos. Na escrita, além dos livros "O Castelo de Âmbar" e "A Sombra do Silêncio", um terceiro está quase pronto: "Brasil". Ainda nesse departamento, o das letras, desfie-se suas criações nesse mesmo Brasil: Revista Quatro Rodas, Jornal da Tarde, IstoÉ, Jornal da República, Veja, Senhor (na segunda encarnação da publicação), IstoÉ/Senhor e Carta Capital. Sim, é fato que foi com equipes que ele criou revistas e jornais, como é fato também que criou sempre no comando destas equipes.

Mino Carta foi pintor até 1996, quando o destino levou quem o movia. Desde então, como ele mesmo diz na conversa abaixo, "Never More".

A última fornada do que o Mino pintor produziu está na galeria Ricardo Camargo, à rua Frei Galvão, 121, Jardins, em São Paulo. Organizada pelo marchand Valdemar Szaniecki, a exposição, que segue até 3 de setembro, tem 25 óleos inéditos. São 13 naturezas-mortas, duas figuras e 10 quadros de 1,30m por 1,60m - com o amor e seus encontros.

Mesmo um leigo percebe que Francis Bacon e Lucien Freud inspiram o pintor, mas não apenas segundo o testemunho do próprio, que começou nesse mundo - com aquarela e guache - ali pelos sete, oito anos, no início da década de 1940. Quanto às influências - chamemos assim - e antes ainda de Bacon e Lucien Freud, conta Mino:

- "...comecei por Masaccio ".

"Os pintores roubam um dos outros. E por que não?", confessava Bacon. Mino, quanto a seu olhar e captura do que fizeram os grandes mestres, aponta algo que considera fundamental na sua forma de pintar:

- ...a distribuição no espaço é caravaggiesca...(de Caravaggio).

Na conversa abaixo, Mino fala sobre jornalismo, pintura, literatura, política, o Brasil ... Do governo de Lula, a quem conhece desde 1977, avalia:

- Lula não fez o que poderia ter feito. Poderia ter feito muito mais. Fez algumas coisas, indiscutivelmente, mas fez 20% do que poderia ter feito. Mas isso já é um assombro para o Brasil e para certa malta que "se acha", como dizem meus netos. Eles se acham...

Terra Magazine - Vamos partir do que está em tela, que é a tela... O que te levou à pintura? Foi alguém? Uma tela? Como você chegou à pintura?
Mino Carta -
Cheguei porque...Meu pai, além de ser jornalista, era professor de história da arte. Ele chegou a fazer um curso aqui, na USP. Ele ministrando o curso. Eu devia ter... aí eu estava com uns 14 anos. Por aí. Cheguei aqui com 12. Agora, os livros de arte em casa, caindo das estantes, e à parte, evidentemente, certos nus de Giorgione, ou de Ticiano, ou de Goya (As Maias) me deixavam mais ou menos empolgado. Talvez isso a partir mais dos...

Mas eu digo mais a captura mesmo. Tipo...
Eu era fascinado pela arte e pela escrita. Eram coisas que me seduziam muito desde pequeno.

Tá. Por que eu estou te perguntando? Porque alguém que eu sei que você sempre... acho que a palavra não é nem gostou, é algo além... que é Francis Bacon, tem um quadro inaugural...ele bate o olho e é arrebatado pela pintura, um quadro de (Nicolas) Poussin. Então a sua chegada foi uma coisa abrupta ou foi isso, o processo?
Eu imaginei que queria ser pintor quando tinha sete, oito anos. Lembre-se que eu vivi uma época muito intensa, de guerra, inclusive, e também...

Isso onde?
Na Itália, em Gênova. Depois, fui para o interior, para o Piemonte, porque a cidade era bombardeada todos os dias. Era um inferno, Mas, sei lá.... Li o The Pickwick Papers com dez anos... Comecei a ler Dickens com oito. São coisas que hoje soam estranhas, mas nessa época eram razoavelmente comuns. Então, eu comecei muito cedo a ler e a ver quadros.

Que era assim...
Os quadros, por causa do meu pai, sinceramente. O ler, porque nessa casa lia-se demais. Aí, comecei a achar que ser escritor e pintor era a melhor coisa a fazer. Achava a profissão do meu pai, o jornalismo, uma chatice. Mesmo porque os jornalistas ficam falando de jornalismo o tempo inteiro e isso realmente é uma coisa terrível.

E falando mal do que fazem 24 horas por dia.
Eu não. Te confesso que depois, como jornalista, não falo mal do que faço.

Canso de ver jornalista fazendo esse charme. "É porque o jornalismo..." Então, pra que está nisso?
É isso. Agora, meu irmão adorava, queria ser jornalista. E foi jornalista.

O Luigi...
Luigi. Eu descobri o jornalismo, bem já contei muito essa história, você sabe, o terno azul marinho... Agora, meu pai, que era um pintor de domingos, me ensinou a lidar com aquarela e com guache e foi por onde eu comecei, com sete, oito anos. Aos 14, fui ver uma exposição do Jorge Mori, em São Paulo, que era um menino da minha idade. Ele era, se não me engano, sobrinho do (Tadashi) Kaminagai, que é um outro grande pintor japonês brasileiro, né?!
Aí, fui ver essa exposição. Ele depois virou um grande copista, trabalhou na França, o Jorge Mori. Muita habilidade, muito talento. E eu fui ver a exposição e o rapaz tinha 14 anos e fez uma exposição muito bem feita.

E pensou: "Quer dizer, então, que pode, que eu posso fazer isso?"
Aí, eu parti para o óleo. Comecei a pintar a óleo também. E pintei, até que apareceu o Sérgio Milliet , que era o grande crítico de arte da época, e botou dois quadros meus numa exposição no Ibirapuera.

Que ano isso?
Em 54. O quarto centenário, né? Ele organizou uma grande exposição de paisagem brasileira, na qual participavam os grandes da época. Eram 19 pintores, mais este que lhe fala.

Você era um moleque...
Tinha 20 anos. E ele levou duas telas minhas. Tinha Cândido Portinari, Pancetti, Tarsila, Guignard. E eu estava lá. Acabei indo para a Itália, no fim de 56, para trabalhar lá, em jornalismo, mas eu disse: "Ah, esse é o momento". E acabei fazendo uma exposição em Milão, em 57, numa galeria muito importante. Era uma das duas mais importantes de Milão. O Carlo Carrà, que foi um dos quatro signatários do Manifesto Futurista, foi ver essa exposição. Morava perto da galeria.
Ele passava na frente da galeria todo dia. Passou por lá, gostou muito e me disse: "Vem trabalhar comigo. Tu quer saber, eu te ensino umas coisas etc e tal". Foi um encontro importante na minha vida, para um autodidata como fui. Essa exposição foi muito bem e achei que ia virar mesmo pintor. Acabei voltando para o Brasil.

Voltou quando?
Em 60. Essa exposição é de maio de 57.

Então você não estava aqui quando Bacon esteve no Brasil, em 59?
Não estava. Depois, participei na Itália de uma exposição coletiva, que dá um prêmio aí e tal. O mesmo crítico de arte que apresentou gente muito importante, como por exemplo, (Michelangelo) Pistoletto; neste momento, hoje, está havendo uma grande exposição retrospectiva do Pistoletto em Roma. Ele apresentou a mim e ao Pistoletto.

Quem apresentou?
Luigi Carluccio. E o Luigi Carluccio apresentou tanto a ele quanto a mim. Depois, ele virou presidente da Bienal de Veneza, o Carluccio. Era um dos mais importantes críticos de arte italianos. E voltei para o Brasil em março de 60. Fui fazer a Quatro Rodas, sem saber dirigir. Aí, eu fiquei no fundo. Estava tão atrapalhado, além de ganhar uma úlcera, porque os humores eram os piores possíveis, fazer uma... E, depois, tinham outros problemas pessoais meus que se misturavam ao conjunto. Parei de pintar. Até 74, quando, olhando, de um dos janelões da Editora Abril à margem do Tietê, para aquela paisagem, muito diferente da atual...

Ainda não era todo aquele cinza e sem árvores de hoje...
Era muita árvore cristalizada pela poeira e muita velha fundição. Ainda, ali no meio. E eu disse: "Eu vou pintar isso". Para um amigo, Giuseppe Baccaro. Eu disse: "Ah, eu gostaria de pintar, mas pintar a óleo, em casa, não tenho condições de montar uma... - Ele me disse: "Pega o acrílico, faz acrílico". E aí, pintei com acrílico. E comecei a pintar a Lapa de Baixo.

Era aquela Abril velha, da Marginal...
Da Marginal. Eu olhava a Lapa de Baixo. Aquela área ali, né? Aí, o (Pietro Maria) Bardi, que conheço desde a noite de Natal de 46... Foi a noite que eu conheci o Bardi, porque nós fomos passar a noite de Natal na casa de um amigo do meu pai e estava lá o Bardi, que estava iniciando as conversações com (Assis) Chateaubriand para ficar aqui e fazer o museu (Masp). Bardi virou uma figura muito conhecida, muito amiga.
O Bardi soube que eu estava pintando e quis ver. Aí, em 75, digamos, teria sido em junho, por aí, ele foi em casa - neste tempo eu morava na Rua Bahia, atrás da Praça Buenos Aires - e foi ver os quadros. E disse: "Não, não, mas está muito bom. Vamos fazer uma exposição".

Isso aí em 75?
Em 75. Eu preparei essa exposição, que iria ao ar no dia 22 de outubro de 75. Chamei o (George) Duque Estrada, para variar (risos), que neste tempo estava trabalhando no Estadão, e pedi para ele fazer o catálogo. E ele desenhou o catálogo e tal. Aí, no dia 22, dia da inauguração da exposição, à noite, o George Benigno Duque Estrada, de manhã, foi preso e foi lá para o DOI-CODI.

Antes do Vladimir Herzog?
Antes do Herzog. Herzog foi num sábado. A exposição foi muito bem. O Bardi empurrou, na Pinacoteca mesmo, empurrou os mestres para trás e botou meus quadros na frente. Foi o governador, Paulo Egydio (governou São Paulo entre março de 1975 e março de 1979), foi o Mindlin, o Millôr veio à exposição, do Rio.

Vendeu bem?
Vendi bem. Até um quadro para o governador. Daí, fiz um monte de exposições. Depois, voltei a expor no Masp em 83. Depois, ainda no Masp, fiz uma grande retrospectiva de cem obras em 94. Grande...

Foi quando estava nascendo a Carta Capital...
Exatamente. Foi quando estava nascendo. Dezessete anos atrás. Fiz um monte de exposições. Depois fiz, via Valdemar Szaniecki, uma exposição em Londres, em 93, e uma em Antuérpia, em 95. Esses quadros que estão aí, eles nascem...

Szaniecki de "A Galeria"?
"A Galeria". Nascem desses quadros. Eu pintei em 94. Somos Angélica e eu, em outros tempos. Esse quadro foi exposto no Masp, na exposição de 94, exatamente, e depois eu o retirei. É um quadro que lembra coisas fortes e deixei aqui, em casa. Mas é a partir dele que eu iniciei essa série, que se destinava a uma exposição a ser feita em Düsseldorf, em 97. Eu estava pintando aqueles quadros que estão agora expostos, mas ia pintar mais dez daquela série. Mas aí, no meio do trajeto, fiquei muito combalido. Não gosto muito de falar disso porque parece que é uma apelação um pouco piegas para quem não sabe do que se trata...

...sabemos do que se trata. Passemos a...
Aí, eu parei de pintar e parei mesmo.

Nunca mais?
Never more. As naturezas mortas que estão na exposição são coisas que eu fazia como exercício.

Durante ou...
Durante, durante, mas fazia como exercício.

Agora, mesmo para quem é leigo, essa forma, digamos, esse estilo... Como dizia o próprio Bacon "Os pintores roubam um dos outros, e por que não?" Obviamente, você se inspira em Bacon, Lucien Freud...
Mas eu acho também que tem estranhas inspirações...

Que não são...
Que não são.

Sim, mas tem, não tem?
O problema, uma diferença, é na distribuição no espaço. Como usar o espaço? É muito caravaggiesca, a distribuição...

...Caravaggio, outro que você profundamente adora. E Bacon "lia" Picasso, Giacometti, Goya, Velázquez... Como você chegou a essa forma de pintar? Coincidência ou de fato você admira essa forma?
Não, eu admirava mesmo, mas fui digerindo coisas ao longo da vida. Começo por Giotto Masaccio.

Então, é esse mix?
Esse mix, agora, sim, claro...

Agora, Mino, tem uma coisa de Bacon, que depois alguém descobriria; que a pintura dele, de certa forma, guarda uma similaridade com textos do filósofo Francis Bacon, de mil seiscentos e pouco, o filósofo de quem ele, Bacon, seria descendente e com o mesmo nome. Se você ler, por exemplo, texto do Francis Bacon filósofo sobre a morte e a vida, há de fato caminhos comuns entre texto e a pintura do Francis Bacon de séculos depois. E dizem que ele não conhecia os textos antes de pintar, só viria a conhecer depois...
Sim...

...quem lê e quem vê o que você pinta não percebe similaridades, entende? A forma como você escreve não tem a ver...
Depende de quando eu escrevo...

Quando? De quando você escreve, como se está acostumado a ver, para o jornalismo?
Isso... Com o jornalismo eu me esforço para fazer um texto mais enxuto e tal. Se eu pretendo escrever, digamos, de forma mais...

...Literária?
...Sim, embora eu ache que o jornalismo é uma forma literária.

Claro, mas mais "duro", engessado, porque preso de alguma forma ao que é factual...
Nesse sentido diferente de uma forma mais literária, que é mais solta, mais "eu". Ai, é outra forma de escrever...

No seu livro "O Castelo de Âmbar", por exemplo, não dá pra ver tanto porque é muito memorabília.
Mas também é outro...

Sim, é um Roman à Clef e, por isso, no "Castelo de Âmbar" você consegue detectar menos o experimento, porque ele também tem uma moldura...
Sim. É, é. Sem dúvida. Digamos, aí, mas se não tem, quando não tem, eu me largo, vou escrevendo.

E o livro novo? Você está acabando? Já tem título?
Tem. O título é "O Brasil". O Brasil como eu o vivi.

Mas é Roman à Clef ou vai botar os pingos nos "is"?
Não, não, não... Em primeiro lugar: é uma estranha construção, porque tem um romance, com capítulos, tem um prólogo, tem epílogo e tem entreatos. E os entreatos são histórias de vida real.

Fatos da vida. Vividos.
Sim, vividos, vistos. No meio, aparecem os capítulos. Nos capítulos, fala-se de personagens de minha vida. Nos capítulos se fala...

São fabulações?
É, apresentados como figuras de ficção. Crio personagens que se cruzam com pessoas realmente existentes. Na minha memória eu falo como as vi, conversei, escutei, etc. Na porção romance as coisas se tornam, obviamente, ficção; atribuo a Claudio Abramo, por exemplo, uma postura num episódio, como atribuo, por exemplo, a Evandro Carlos de Andrade em outro.

Fabulações, mas evidentemente autobiográficas, de alguma forma...
Essa gente aparece tanto na parte ficcional quanto no factual.

Aí, quem quiser que monte o seu bric-à-brac...
É isso. Se você quiser, depois eu te mostro como funciona essa estranha coisa. É isso.

Já está caminhando?
Eu acho que está quase no fim. Quer dizer, o livro está completo. Mas eu estou relendo, reinventando, etc e tal.

Já tem editora?
Sim. Já, já.

Quando é que você imagina que...
Ah, eu tenho a impressão que vai sair só no ano que vem. Se tudo correr bem, eu estou com isso pronto agora em setembro. Eu estou relendo. Está completo. Está feito. Vem o prólogo, tem o primeiro capítulo, que se dá quando Getúlio morreu. E tem um cara que chega em casa e diz para o filho: "Vamos para o Estadão". Ele é amigo do linotipista do Estadão.

É seu pai, Giannino?
Não. É um linotipista. Está lá nas entranhas. Aí, os dois vão, filho e pai, vão ao Estadão para saber mais coisas. Aí, sobem para a redação do Estadão, porque o linotipista os leva para lá.

Mas o filho e o pai são vocês?
Não, não, de jeito nenhum. Waldir é o pai, Abukir é o filho de oito anos, que se chama Abukir, porque o professor de história e de geografia detestava Napoleão. Então, chamou o filho de Abukir. Então, os dois vão, recebidos pelo Severino, que é o linotipista, vão até à redação ver o que está acontecendo. Estão reunidos no aquário. Os dois velhos Mesquita. Os filhos do Júlio, porque o Ruy está no Rio, ao lado de Carlos Lacerda. Os filhos também do Chiquinho Mesquita. Estão discutindo o que fazer, porque o Cláudio Abramo, que é o secretário de redação, insiste para que a primeira página, desta vez, seja dada à notícia da morte do Getúlio. Meu pai, Giannino Carta, que está lá, banca o conciliador. Ele tenta botar todo mundo de acordo.

É romance, mas é autobiográfico.
De certa forma. Mas eu não estou nessa. Então, é isso. Aí, o entreato seguinte, depois do segundo capítulo, fala de Claudio Abramo.

Falamos de duas expressões, pintar e escrever, que até há algum tempo tinham uma forma, uma formação muito específica da crítica, dos críticos. Hoje, num mundo multifacetado, ciclópico, difuso, autofágico, etc, isso meio que foi tragado. Você não espera, por exemplo, que se vá perceber isso de uma forma ou de outra, que haja uma crítica específica, com tempo e tudo mais para perceber como você pinta e/ou escreve, se há relação ou não... É isso?
Sim, sim.

É um outro mundo, né? Diferente do mundo em que se viveu até há pouco. Outra velocidade, outra dinâmica, outros propósitos... Você tem plena consciência disso?
Perfeitamente.

Você sabe que as coisas podem ser percebidas ou não percebidas porque de repente, naquele dia, alguém estava com um biquíni novo na praia...
É isso (risos). Mas eu, de alguma forma, sempre fui assim. Se estamos falando de biquínis ou equivalentes ao biquíni... Vamos aos biquínis. Esses são atrativos que distraem.

Mas mudou muito aquilo da chamada "crítica", a clássica. É outra coisa. Ou não?
É, em parte é... Mas acho que nós exageramos ao achar que o mundo é perfeitamente igual ao Brasil.

Não falo do mundo, falo daqui...
Ah, aqui, sem dúvida. Mudou, mas também quem era capaz desse tipo de crítica? Sempre uma minoria, muito bem preparada e de fato apta.

Confira a segunda parte da entrevista:
»Mino Carta: "A arte virou uma questão de marketing"
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Mino Carta/Divulgação
Mino Carta expõe quadros na galeria Ricardo Camargo, em São Paulo, até 3 de setembro

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