|
Divulgação
Parte das joias roubadas em assalto ao banco Itau foi recuperada pela polícia nesta sexta (16)
|
José Luiz Teixeira
De São Paulo
O assalto aos cofres pessoais do banco Itaú, em São Paulo, há duas semanas, me fez lembrar do filme "Bank Job", recentemente exibido por um dos canais da TV por assinatura.
Baseado em fatos reais, conta como foi articulado roubo semelhante a uma organização bancária da Inglaterra, em 1971.
Agentes do MI-5, serviço secreto inglês, convencem um fora-da-lei endividado a montar uma pequena quadrilha para realizar o assalto.
Eles facilitariam as ações dos bandidos, mas, em troca, estes deveriam resgatar fotos que estavam dentro de um cofre particular específico.
Essas fotos comprometiam um membro da família real, e estavam sendo usadas por um chantagista contra o governo britânico.
O plano quase não dá certo porque um policial da Scotland Yard, que não tinha nada a ver com o assunto, desconfia de algo, investiga por conta própria, e quase estraga tudo.
Fora algumas mortes no caminho - que talvez tenham sido inseridas no roteiro original para dar mais ação ao filme - tudo acaba mais ou menos dentro do previsto.
Com as bolsas cheias de dinheiro e joias, os bandidos recebem salvo conduto para deixar a Inglaterra; o MI-5 recupera as fotos; e assunto permanece em sigilo - a verdade só foi revelada 35 anos depois.
O assalto ao Banco Itaú, em São Paulo, também renderia um filme tão emocionante e intrigante quanto o inglês, dadas as coincidências entre os dois scripts.
Aqui, os ladrões também não foram importunados durante a noite toda, chegando até a encomendar lanche de madrugada.
No dia seguinte, ninguém registrou queixa à polícia, mantendo o fato em segredo até ser descoberto pelos clientes alguns dias depois.
A delegacia especializada em roubos a bancos só foi acionada cinco dias depois e, curiosamente, quem iniciou a investigação foi um delegado de um distrito 20 quilômetros distante do ocorrido.
Essas e outras coincidências me levam a crer que a verdade sobre essa história também será conhecida somente daqui a alguns anos.
Espero, apenas, que neste caso, não esteja em jogo nenhuma foto de nossos governantes ou governantas; dessa verdade seria melhor sermos poupados.
Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br