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Sábado, 1 de outubro de 2011, 07h31

Golpe da barriga

José Luiz Teixeira
De São Paulo

Entrou em cartaz, neste fim de semana, em São Paulo, o filme "Família Vende Tudo", do diretor Alain Fresnot.

Estrelado por Caco Ciocler e Luana Piovani, trata-se de mais um exemplo em que a arte imita vida.

Neste caso, é abordado um comportamento cada vez mais comum, hoje em dia, no Brasil: o golpe da barriga.

A estória gira em torno de uma família com dificuldades financeiras que traça um plano para a filha engravidar de um famoso cantor, com o objetivo de conseguir uma polpuda pensão.

(Antes que um dos meus sete ou oito leitores me corrija, esclareço que me nego a abandonar o verbete "estória", como querem os acadêmicos, quando se trata de ficção).

Pois bem. O filme narra as peripécias dos pais da menina que acompanham todas as turnês do astro em questão, tentando, de todas as maneiras, aproximar os dois para uma transa fortuita, mas fecunda.

Por enquanto, assisti somente ao trailer do filme, no qual há uma cena muito engraçada: quando o pai da garota comemora com a vizinhança a notícia de que ela está grávida do rapaz; é uma festa na rua do subúrbio onde moram.

Obviamente haverá, nos letreiros finais da dessa comédia, aquele tradicional aviso de que qualquer semelhança com fatos e pessoas reais é mera coincidência.

No entanto, duvido que algum espectador deixe de se lembrar, nessa hora, de personagens que, na vida real, também foram tão competentes na missão de engravidar de personalidades, como artistas, boleiros ou políticos.

Todas essas vitoriosas merecem os nossos parabéns. Há de se cumprimentar, por exemplo, a adolescente que conseguiu ter um filho, recentemente, de um jovem craque do futebol nacional, seguramente, o maior salário do País.

Os mais velhos, provavelmente, darão o troféu a uma apresentadora de TV que, alguns anos atrás, teve um filho de um pop star internacional, um dos mais ricos do planeta.

De minha parte, dentre todas as histórias (agora, sim, com agá) que conheço, daria o primeiro prêmio à jornalista que fez um ex-presidente assumir e registrar como seu, uma criança que, comprovou-se agora, não era dele.

Essa moça é a mais competente de todas. Além de mestra do golpe da barriga, certamente também ganharia uma fortuna jogando pôquer em Las Vegas. Seu talento para o blefe é coisa de campeão mundial.

José Luiz Teixeira é jornalista. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou em diversos órgãos de imprensa, entre os quais as rádios Gazeta, Tupi e BBC de Londres, e os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Folha da Tarde.

Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br

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