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Sábado, 15 de outubro de 2011, 07h22

A hora e vez dos carros brancos

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Os novos tempos acabaram com essa diversidade de carros e passaram a nos dar apenas duas opções: o preto e o prata
Os novos tempos acabaram com essa diversidade de carros e passaram a nos dar apenas duas opções: o preto e o prata

José Luiz Teixeira
De São Paulo

Branco é a nova cor da moda para automóveis luxuosos, como se pode observar nas ruas e confirmar nas matérias a respeito publicadas pela imprensa especializada.

Estranha-me um pouco essa paulatina e silenciosa invasão alva. Afinal, quem decidiu que agora todo mundo deve comprar carros dessa coloração?

Sou da época em que havia muitas ofertas de cores para os veículos, do Mustang cor de sangue ao Corcel cor de mel.

Havia opções para todos os gostos: azul calcinha, amarelo berrante, abóbora, e até mesmo tons irreconhecíveis, genericamente chamados de "cor de burro quando foge".

Cada pessoa escolhia a tonalidade que mais se adequava à sua personalidade, ao seu gosto, e saía por aí dirigindo feliz o colorido possante.

Os novos tempos, porém, acabaram com essa diversidade e passaram a nos dar apenas duas opções: o preto e o prata - com algum esforço, acha-se, ainda, um cinza escuro. O curioso é que as pessoas que antes gostavam de autos mais coloridos, alegres, mudaram suas preferências para essas duas sóbrias cores.

De uns meses para cá, porém, aos poucos, carros brancos estão circulando pelas ruas da cidade com toda a pompa e circunstância de cisnes ingleses.

Por enquanto, apenas os carrões são pintados assim; mas em breve, podem escrever, os carros populares seguirão a tendência.

E a dúvida que me ocorre é a mesma do antigo comercial de biscoito:

As fábricas vendem carros brancos porque os consumidores assim o querem, ou os consumidores consomem carros brancos porque as fábricas assim os vendem?

Desconfio que a resposta correta seja a segunda afirmação: alguém decide qual será a minha cor predileta para meu futuro automóvel.

E quem será esse alguém? A indústria de tinta, movida pelos custos dos diferentes pigmentos? Provavelmente.

Desse modo, assim como alguém decide que deveríamos usar saltos mais altos ou calças com a cintura mais baixa, popularizando o "cofrinho", parece que determinam, também, nossas preferências automotivas.

Quanto a nós, como um rebanho de consumidores, devagarinho, sem perceber, vamos moldando nossos gostos à tendência, à moda do momento.

Carro branco. Um dia você vai ter um.

José Luiz Teixeira é jornalista. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou em diversos órgãos de imprensa, entre os quais as rádios Gazeta, Tupi e BBC de Londres, e os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Folha da Tarde.

Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br

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