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Sábado, 29 de outubro de 2011, 09h06

Técnico não ganha jogo

José Luiz Teixeira
De São Paulo

Meu time trocou novamente de técnico e continuou perdendo, como ocorreu quarta-feira (26) no Paraguai.

O presidente Juvenal Juvêncio está desconfiado que o problema não seja o treinador, mas os jogadores.

Como torcedor que acompanha a equipe há quase meio século, não desconfio disso: tenho certeza.

Quem já viu Roberto Dias, Pedro Rocha, Gérson, Careca e Raí jogarem sabe do que estou falando.

De nada adiantam táticas com alas ou laterais, dois ou três beques, um ou dois volantes, se na 'hora agá', cara a cara com o goleiro, a bola cai no 'pé ruim' do atacante, como dizem os narradores esportivos.

Aliás, fico imaginando o que pode ser um 'pé ruim': sem um dedo? chato? virado para trás, igual ao Curupira?

O fato é que mesmo que seja com o 'pé bom', muitas vezes o batedor de faltas torna inúteis horas de preleção do 'professor', simplesmente isolando a bola.

O que pode fazer o treinador para evitar que seu centroavante, em vez de marcar gol, volte para sua própria grande área e faça um 'fabuloso' e infantil pênalti?

Deveria ensinar isto ao atleta? "Olha, sua função é fazer gols para nosso time; não é fazer pênalti contra nós, não".

Por essas e outras fica claro que técnico dificilmente ganha jogo.

O São Paulo demitiu Muricy Ramalho porque ele não conseguia ser campeão da Libertadores; no ano seguinte, ele conquistou essa taça dirigindo o Santos.

Outro a ser demitido no Morumbi por não ganhar títulos foi Ricardo Gomes; tão logo chegou ao Vasco da Gama, sagrou-se campeão da Copa do Brasil.

Ressalte-se que depois do afastamento de Gomes por doença, o Vasco continuou jogando bem praticamente sem técnico, sendo hoje forte candidato ao título nacional.

Portanto, meu caro Juvenal Juvêncio, é isso mesmo: para ser campeão, o time precisa de bons jogadores, não apenas de bons técnicos.

E bons jogadores não são apenas os craques, mas aqueles que sabem atuar em equipe e honrar a camisa que vestem - e que não a atiram para o alto ao fazer um mísero golzinho.

Assim sendo, não acredito que o novo treinador vá recuperar o São Paulo com o atual elenco, embora, como diz a piada do colunista José Simão, Leão esteja no lugar certo porque "é o rei da bicharada".

José Luiz Teixeira é jornalista. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou em diversos órgãos de imprensa, entre os quais as rádios Gazeta, Tupi e BBC de Londres, e os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Folha da Tarde.

Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br

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