José Luiz Teixeira
De São Paulo
Plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro.
Imbuído pelo espírito dessa antiga cobrança social, e pelo incentivo de alguns amigos, decidi cumprir minha terceira e última tarefa nesta existência: publicar um livro.
Qual não foi meu arrependimento, quando caí na real e descobri que, além de produzir o livro, terei de vendê-lo.
Como sugerido pelos palpiteiros, fiz uma coletânea das crônicas menos ruins publicadas aqui no Terra Magazine, e parti para a impressão e publicação.
Essa parte até que não foi difícil porque me indicaram uma empresa que publica livros sob demanda na Internet. Ela faz tudo por você.
Basta mandar o miolo e a imagem da capa nos formatos e tamanhos exigidos, estipular quanto quer ganhar de direitos autorais, e pronto: ela se ocupa de todo o resto.
Em uma hora, sua obra-prima já está em exposição no saite da empresa, com foto, resenha, preço e prazo para a entrega.
Quando alguém compra um exemplar, essa unidade é impressa no mesmo dia e, em uma semana, por intermédio dos correios, o leitor já recebe o produto em sua casa. Simples assim.
Você não investe nada. Se vender apenas um exemplar, tudo bem: eles imprimem e despacham ao comprador; se vender 200 é a mesma coisa. E assim por diante.
Além disso, diariamente, informam quantas unidades foram comercializadas, e depositam sua parte no banco.
Parecia tudo perfeito. Porém - ai, porém! - sempre há um porém.
Nesse caso, foi o sistema de busca da home page do referido saite; ele simplesmente não reconhecia o hífen - e o nome do meu livro tem hífen.
Vejam, caros leitores, o estrago que um simples hífen pode causar.
E-mail para cá, e-mail para lá, e a equipe do suporte técnico não resolvia o problema.
Como a novela já durava quase dois meses, e nada de correção, tive o infeliz impulso de imprimir e vender o futuro best-seller por minha conta e risco.
Levei os originais em uma pequena gráfica, encomendei algumas centenas de exemplares, e acertei para comercializá-los na Livraria Cultura.
Ontem, fui buscar o resultado do meu surto de ansiedade; voltei para casa com o carro mais baixo atrás, de tanto peso no porta-malas.
Vou levando-os à Cultura à medida que forem feitos os pedidos - se forem feitos os pedidos.
Portanto, agora estou aqui, atravancado no meu escritório, olhando para vários pacotes de livros amontoados à minha frente, imaginando como vou conseguir vender tudo isso.
Esta noite tive até um pesadelo, no qual eu usava uma enorme bolsa à tiracolo, e oferecia meu produto de mesa em mesa nos bares da Vila Madalena.
Valha-me Deus!
PS: O livro se chama Comunistas depois do meio-dia e pode ser adquirido exclusivamente no saite www.livrariacultura.com.br. Basta entrar no saite e digitar o nome do livro.
Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br
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Divulgação
O livro Comunistas depois do meio-dia pode ser adquirido exclusivamente em livrariacultura.com.br
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