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Segunda, 5 de dezembro de 2011, 08h02 Atualizada às 17h14

Arcebispo da Bahia faz missa com hóstia, acarajé e atabaques

Maria Olívia Soares/Terra Magazine
Arcebispo-primaz do Brasil, dom Murilo Krieger celebrou missa que aproximou catolicismo das religiões de matriz africana
Arcebispo-primaz do Brasil, dom Murilo Krieger celebrou missa que aproximou catolicismo das religiões de matriz africana

Maria Olívia Soares
Do "Bahia em Pauta"

Os devotos de Santa Bárbara e Yansã, orixá do Candomblé, lotaram as ruas do Centro Histórico de Salvador vestidos de vermelho e branco, na belíssima manhã de domingo, 4 de dezembro, o dia dedicado à "santa guerreira". A festa foi marcada pela total integração entre religiões e credos, do início ao fim dos rituais.

Pela primeira vez, em 30 anos, um arcebispo-primaz do Brasil celebra a missa campal em homenagem a Santa Bárbara. Dom Murilo Krieger presidiu a solenidade no Largo do Pelourinho, onde foi distribuída ao mesmo tempo hóstia e acarajé, que no candomblé é chamado de acará, ou seja, a comida ofertada à Yansã. Ato que emocionou até os que não têm fé. A benção aos fiéis ocorreu com folhas molhadas em água benta.

Dom Murilo não esqueceu de homenagear os mais de 30 trabalhadores rurais mortos em acidente na BR 116, trecho na Bahia. Ele também lembrou o ex-jogador Sócrates, que morreu nesta data também simbólica para o futebol, com a conquista do Campeonato Brasileiro pelo Corinthians, o clube do "Magrão".

Seguidores de Santa Bárbara e Yansã aproveitaram a festa para pagar promessas, distribuindo fitas e acarás pelo caminho. A Banda do Corpo dos Bombeiros agradeceu a proteção da padroeira da classe, acompanhando a procissão pelas ruas do Centro Histórico, até o Mercado de Santa Bárbara, na Baixa dos Sapateiros, todo tempo entoando cantos religiosos.

A festa continuou com danças, celebrações e o tradicional caruru. O gesto do arcebispo foi encarado como uma reaproximação da Igreja Católica com o Candomblé, que tem sido combatido por religiões neopentecostais na Bahia. A missa de atabaques chegou a ser uma marca dos beneditinos Dom Timóteo Amoroso Anastácio e Dom Jerônimo de Sá Cavalcanti, religiosos destacados na resistência à ditadura militar, no Mosteiro de São Bento de Salvador.

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