Terra Magazine

› Terra Magazine › Colunistas › José Luiz Teixeira

Sábado, 10 de dezembro de 2011, 08h05

Mudança no JN deu o que falar

TV Globo/Divulgação
Patrícia Poeta em seu primeiro dia na bancada do 'Jornal Nacional'
Patrícia Poeta em seu primeiro dia na bancada do 'Jornal Nacional'

José Luiz Teixeira
De São Paulo

- Se eu fosse a Fátima Bernardes não sairia do lado do meu marido, deixando a Patrícia Poeta em meu lugar!

Ouvi esse comentário, quinta-feira passada, na padaria, de uma senhora na mesa ao lado, inconformada com a mudança de apresentadora no Jornal Nacional.

O comentário me chamou a atenção, dada a singularidade da abordagem ao assunto que deu muito o que falar na semana passada.

- Eu, hein! - prosseguiu ela - largar meu homem na idade do lobo, que é a idade do William Bonner, ao lado de uma mulher mais nova e mais bonita? Ainda mais com a aquela calça justinha...

Lembrei, na hora, da roupa que realçava as curvas sensuais de Patrícia Poeta, quando ela apareceu na tela rapidamente de corpo inteiro, no dia do anúncio de sua estreia no JN.

Isso me fez pensar que talvez a senhora da padaria tivesse um pouco de razão em achar que Fátima Bernardes deveria ter ciúmes de seu jovem e bonitão companheiro de bancada, sala, cozinha e cama.

Acho que se eu fosse o marido de Patrícia Poeta talvez também me sentisse um pouco ameaçado de vê-la, todos os dias, ao lado do William Bonner, trocando com ele comentários e olhares cúmplices.

Sim, porque atualmente, na Globo, os apresentadores precisam se olhar entre uma notícia e outra; às vezes, sorriem; às vezes, fazem cara de preocupação; e sempre deixam transparecer certa cumplicidade sobre o que estão falando.

Faz parte do show, mas é essa cumplicidade, dia após dia, que me deixa vagar um pouco pelas escorregadias e obscuras vielas do ciúme.

Os dois ali, lado a lado, diariamente, vivendo as emoções de apresentar o telejornal mais importante do país, os serões em dia de edição extra, os pequenos erros, as confidências nos intervalos...

Sem dúvida, do ponto de vista do ciumento, está criado o caldo de cultura para o inesperado, está montado um alvo fácil para a traiçoeira flecha de Cupido.

Imagino, porém, que esse sentimento vil afete apenas mortais comuns, como eu e minha colega de padaria.

Fátima Bernardes me parece segura o bastante para não se preocupar com gelosias.

Quanto ao marido da Patrícia Poeta, já deve ter se acostumado com o ônus de ser casado com uma unanimidade nacional.

José Luiz Teixeira é jornalista. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou em diversos órgãos de imprensa, entre os quais as rádios Gazeta, Tupi e BBC de Londres, e os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Folha da Tarde. É autor do livro Comunistas depois do meio-dia, que pode ser comprado exclusivamente no site www.livrariacultura.com.br

Fale com José Luiz Teixeira: jl.teixeira@terra.com.br

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

 

Busque outras notícias no Terra

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol