Atualizada às 10h20 Ana Cláudia Barros
Dayanne Sousa
Segundo lugar nas eleições de 2010 para o Senado do Pará, Jader Barbalho (PMDB-PA) esperou mais de um ano para ter autorizada sua posse pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por conta da Lei da Ficha Limpa. O político, porém, usa do humor para dizer que não se sentiu prejudicado:
- O mandato de senador é longo (risos). Não vai atrapalhar absolutamente.
Em entrevista a Terra Magazine, Jader Barbalho deixa de lado as críticas ferozes que vinha fazendo ao STF. Ele demonstra serenidade e, ao contrário do habitual, evita polêmica. "Estava esperando que o Supremo adotasse a orientação que ele já tinha estabelecido desde 23 de março, de que a lei não teve vigência na eleição de 2010", conclui.
Nesta quarta-feira (14), após uma reunião com líderes do PMDB, o presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, levou a plenário o novo pedido do advogado de Jader Barbalho. Peluso, então, deu o voto de minerva que autorizou a posse.
A situação de Barbalho estava pendente desde novembro do ano passado, quando cinco ministros votaram contra a posse e cinco a favor. Na época, o agora senador vociferou contra o Supremo em entrevista a Terra Magazine e chamou a Corte de "esdrúxula" e "patética".
Desta vez, Barbalho invoca uma metáfora bíblica para afirmar que a polêmica é página virada:
- Não tenho vocação para mulher de Sodoma e Gomorra, nem tenho pretensão de virar estátua de sal - compara. Na história, pessoas que olhavam para trás enquanto as cidades eram destruídas se transformavam em estátuas.
Leia a entrevista.
Terra Magazine - Como o senhor recebeu a decisão do Supremo desta quarta?
Assisti à sessão pela televisão. Estava esperando que o Supremo adotasse a orientação que ele já tinha estabelecido desde 23 de março, de que a lei não teve vigência na eleição de 2010. Então, o tratamento dispensado aos demais, evidentemente, teria que ser dispensado a mim.
A conversa que líderes do PMDB tiveram com o presidente do STF, Cezar Peluso, na tarde anterior foi determinante?
Não sei se foi determinante ou não. Acho que a ação dele foi correta, porque, no caso (Cássio) Cunha Lima (PSDB-PB), todas as lideranças do PSDB estiveram com ele. Mesma coisa em relação a João Capiberibe (PSB- AP), o governo de Pernambuco foi até o Supremo. Eu acho natural, no processo democrático, principalmente junto ao Judiciário, que a pessoas pleiteiem o que está estabelecido pelo próprio Poder Judiciário. Ruim é se algum grupo político fosse pedir algo indecoroso. Mas quando você vai pedir apenas o cumprimento da Justiça, acho que é um direito de cidadania.
O senhor se sentiu injustiçado por outros políticos nas mesmas condições terem tomado posse antes?
Não. Eu estava apenas aguardando. Sabia que, inevitavelmente, não deixaria de adotar em relação a mim. Afinal de contas, não existe lei pessoal, principalmente, lei que não teve vigência. Quando o Supremo estabeleceu que a lei não teve vigência, ela não entrou no mundo jurídico, ela não existiu.
Chegou a ser ventilado que haveria uma tentativa de manobra do PT para manter a vaga que seria do senhor com Paulo Rocha (PT-PA, terceiro colocado nas eleições e também barrado pelo Ficha Limpa). O senhor teve conhecimento disso?
Se a Suprema Corte do País adotar postura de natureza político-partidária é uma "república de bananas". Não tenho absolutamente. Se existiu, não creio que tivesse menor possibilidade de ter sucesso.
Quais as suas expectativas ao assumir?
A minha expectativa é corresponder à decisão do povo do Pará, que me elegeu, apesar de uma campanha difícil, em que, inclusive, a propaganda era que não deveriam votar em mim exatamente porque o voto seria nulo. A minha expectativa é corresponder à confiança do povo paraense, que me deu 1 milhão e 800 mil votos. Eu, mais do que nunca, tenho o dever de exercer com o maior entusiasmo meu mandato a favor do Pará.
Foi uma longa espera. A demora foi prejudicial?
Não o mandato de senador é longo (risos). Não vai atrapalhar absolutamente a possibilidade de eu ter um desempenho que corresponda à expectativa do povo do Pará e me unir naquilo que for de interesse para o País com os outros senadores.
O senhor já considera essa história página virada?
Não tenho vocação para mulher de Sodoma e Gomorra, nem tenho pretensão de virar estátua de sal.
E quanto às cartas que o senhor enviou para os ministros? O ministro Joaquim Barbosa chegou a afirmar que se sentiu ameaçado.
Eu mandei cartas altamente respeitosas para todos os membros do Supremo. Acho que qualquer homem público deve estar à disposição, no exercício da função pública, para receber correspondências de qualquer cidadão. Eu apenas escrevi, reivindicando que meu assunto fosse colocado em pauta. Só isso. Todos os outros ministros ressaltaram que é muito natural que isso ocorra.
Surpreendeu a reação de Joaquim Barbosa?
Não. Lamentei que ele houvesse interpretado equivocadamente. Eu fui respeitosamente solicitar que meu assunto fosse colocado em pauta. Só isto. Aliás, direito de qualquer cidadão.
O senhor acredita que vai ser bem recebido no Senado?
Ainda ontem, tive a oportunidade de comparecer a uma festa de confraternização em Brasília e fiquei muito feliz. Quase todo o Senado estava presente. A maior parte são pessoas do meu relacionamento. E nesses últimos oito anos, eu estava no Congresso. Fui presidente do Senado, fui líder durante quase sete anos. Tenho muitos amigos. Meu relacionamento é excelente com o Senado.
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