José Luiz Teixeira
De São Paulo
A crise econômica europeia, sem dúvida, foi um dos assuntos que ganharam mais destaque no noticiário deste ano. Quase não houve um dia em que o tema não apareceu nas primeiras páginas de nossos principais jornais.
Como não nasci na Espanha, não pretendo passar o Réveillon em Paris e tampouco o verão nas ilhas gregas, preocupei-me pouco com o assunto. Mesmo porque ouvi o ex-ministro Delfim Netto dizer outro dia que o Brasil não sofrerá muito com uma eventual recessão no Velho Mundo.
O que havia me preocupado por um instante, nessa história toda, foi ouvir, há algum tempo, que os líderes europeus estavam querendo uma ajuda financeira do Brasil. Eram os ricos tentando tirar dinheiro dos pobres.
Felizmente, nossa presidenta bateu a mão da mesa e disse não a tão desavergonhado pleito de monsieur Sarkozy e companhia.
Os sete ou oito leitores desta coluna muito provavelmente já estiveram na Europa e puderam observar que, por pior que estejam seus países, ainda estão bem melhor do que nós aqui do Terceiro Mundo.
Até este velho colunista já fez um périplo por lá, embora tenha sido há tanto tempo que os navios ainda eram uma alternativa para os caríssimos aviões - aliás, por pouco não pego a Pinta, a Nina ou a Santa Maria operando travessias regulares entre os dois continentes.
A maioria da população brasileira, entretanto, nunca cruzou o Atlântico e não sabe que desembarcar em uma cidade europeia é como tomar o elevador e subir um andar na escala da civilização.
As ruas são limpas, ninguém joga lixo no chão, as pessoas atravessam nas faixas para pedestres e os motoristas as respeitam. Os rios não são poluídos, suas margens são urbanizadas, suas pontes merecem o nome de obras de arte, como se diz em 'engenhorês'.
Nem todo mundo mora em castelos, é verdade, mas não se vê favelas por todo o canto, muito menos pegando fogo como ocorreu na última quinta-feira (22) no centro da cidade mais rica do nosso país.
Não há crianças pedindo esmolas nas ruas, as taxas de criminalidade são baixas, as mulheres tomam sol de topless nas praias mais badaladas, há museus e bibliotecas por todo lado, os parques são bem cuidados, as casas do interior têm flores nas janelas.
Por isso, cheguei a ficar irritado quando ouvi a notícia de que estavam querendo ajuda do Brasil. Soou para mim como se um ricaço do Morumbi estivesse pedindo dinheiro a um modesto trabalhador de Itaquera para que não faltasse nada do bom e do melhor em sua despensa.
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