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Quarta, 4 de janeiro de 2012, 16h38

Ação na Cracolândia é "tapar sol com peneira", diz associação

Ana Cláudia Barros

Presidente da Associação dos Moradores do Bairro Santa Ifigênia (AMSI), Antônio Santana, não viu com otimismo a ação desencadeada pela Polícia Militar em conjunto com órgãos da Prefeitura de São Paulo na região apelidada de Cracolândia, no Centro da capital paulista. Na avaliação dele, a medida tem viés eleitoreiro e não passa de uma "tentativa de tapar o sol com a peneira".

- Todo mundo já percebeu que não é só um problema de polícia, mas de saúde pública. Querem fazer a população engolir que o problema será resolvido. Só estão dispersando os usuários de drogas. A polícia tem feito o papel dela. Mas o que a prefeitura precisa fazer é oferecer saúde pública, centros que possam atender os dependentes químicos.

Santana destaca que há muito a Cracolândia não está apenas no Santa Ifigênia.

- Só está espalhando o problema pela cidade. Solução mesmo, não há nenhuma. Eles estão tratando como uma higienização, uma limpeza. Nós, da Associação dos Moradores do Bairro Santa Ifigênia, temos bastante contato com associações de bairros vizinhos. Estamos certos de que a população não está caindo nesse conto de ocupação da cracolândia. Já faz tempo que esses bairros estão sofrendo com a cracolândia. Eles também estão preocupados. Já faz tempo que ela não tem lugar fixo. Está no Santa Efigênia, no Santa Cecília e no Campos Elíseos.

Para ele, a "mídia está tratando a ocupação da cracolândia como se fosse a ocupação do Morro do Alemão, no Rio".

- Não é bem assim. São 300 usuários de drogas. Os prédios que foram demolidos em 2007 serviram só para dar um aspecto de terra de ninguém e facilitar o tráfico. Tudo que aconteceu naquela área foi resultado da omissão e da falta de planejamento da prefeitura. Muitos acreditam que foi proposital deixar criar uma área de cracolândia para desapropriar com preço de cracolândia - critica.

A jornalistas, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, considerou a operação um "avanço". Apesar de relatos de que os usuários de crack estejam perambulando por outras regiões, ele considerou que a presença da polícia por si só seria um benefício.

Cerca de 100 homens da Polícia Militar estão atuando no local e mais de 300 pessoas já foram abordadas. O objetivo da operação é, segundo a corporação, sufocar o tráfico e combater o uso de drogas na área.

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