Atualizada às 08h26 |
Reuters
Reunião do Conselho de Segurança da ONU: Estados Unidos pressionam Rússia contra Síria
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Dayanne Sousa
Reunião do Conselho de Segurança da ONU falhou em tentativa de pressionar o regime do presidente Bashar Al-Assad na Síria. Diante da resistência da Rússia, o doutor em direito internacional e professor pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), Salem Nasser, vê poucas possibilidades de mudança no país:
- Os objetivos máximos de uma resolução são políticos. Uma resolução assim não seria cumprida pelo regime e, na falta de intervenção armada, o status quo deve se manter - observa.
Apesar da explicação, o especialista em Oriente Médio ressalta que uma intervenção armada não é cogitada pela comunidade internacional:
- O risco maior é de um resvalar para uma guerra civil. Isso poderia ser acelerado com uma intervenção estrangeira. É por essas razões que mesmo quem gostaria de ver cair o regime está cauteloso em relação ao uso da força.
Na terça-feira (31), o rascunho da resolução do Conselho de Segurança previa a emissão de um pedido enfático de saída do presidente Assad. A principal resistência à proposta vinha da Rússia. Sem acordo, o órgão não se manifestou sobre o assunto.
- A transformação fundamental seria conseguir que países que hoje são mais próximos do regime sírio, especialmente a Rússia, retirem seu apoio político, permitindo que o Conselho de Segurança passe uma resolução mais forte em sua linguagem e que cresça a pressão sobre o governo sírio - avalia Nasser.
Leia a entrevista.
Terra Magazine - O Conselho de Segurança se reuniu para decidir sobre a Síria. A Secretária de Estado americano, Hillary Clinton, pressionou, sem sucesso, a Rússia para que o país concordasse com uma ação mais direta pedindo a saída de Assad do poder. Como o senhor vê esse movimento por parte dos Estados Unidos?
Salem Nasser - Todo mundo está insistindo em que não há previsão de qualquer intervenção armada na Síria. Assim, os objetivos máximos de uma resolução são políticos. Uma resolução assim não seria cumprida pelo regime e, na falta de intervenção armada, o status quo deve se manter. A transformação fundamental seria conseguir que países que hoje são mais próximos do regime sírio, especialmente a Rússia, retirem seu apoio político, permitindo que o Conselho de Segurança passe uma resolução mais forte em sua linguagem e que cresça a pressão sobre o governo sírio. Não penso que a Rússia esteja pronta para recuar e bancar os consideráveis prejuízos, em termos estratégicos e políticos, de perder o aliado sírio.
Em casos como o da Líbia, por exemplo, éramos lembrados da dificuldade de surgimento de novas lideranças em países que vivem tantos anos com restrições de liberdades. É o caso da Síria?
Acho que a Síria é muito diferente da Líbia. Ali, talvez de modo mais parecido com o que vemos na Tunísia e no Egito, há uma presença forte e razoavelmente organizada da Irmandade Muçulmana. Há também outros movimentos que se organizam dentro e fora da Síria. No entanto, há sempre o risco de que esses grupos oposicionistas que agora ganham alguma visibilidade não tenham real ou relevante representatividade na sociedade síria.
Em novembro, a ONU calculou que mais de 4 mil pessoas foram asassinadas pelo regime de Assad. É grave a questão humanitária, mas, de alguma forma, o senhor acha que ela poderia ser resolvida sem uma interferência internacional?
A questão humanitária é grave, mas ela é complementada por uma situação de confrontos armados que vão adquirindo dimensões crescentes. O risco maior é de um resvalar para uma guerra civil. Isso poderia ser acelerado com uma intervenção estrangeira. E não só isso, as consequências de uma intervenção podem ser desastrosas para a segurança em toda a região. É por essas razões que mesmo quem gostaria de ver cair o regime está cauteloso em relação ao uso da força.
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