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Sábado, 4 de fevereiro de 2012, 07h57

Uma breve história da Coca-Cola (2ª parte)

Lecticia Cavalcanti
Do Recife (PE)

A Coca-Cola, vimos no primeiro artigo, nasceu como xarope. E logo foi vendida, por não acreditar muito seu inventor no sucesso da bebida. A Griggs Candler, seu comprador, coube aperfeiçoar a fórmula. Cancelou a cocaína, reduziu a cafeína, substituiu ácido cítrico por ácido fosfórico, acrescentou glicerina e um saborizante à base de óleo de lima. Assim nasceu a fórmula conhecida, até hoje, como "Merchandise 7x". Um segredo guardado a sete chaves, em cofre do Trust Co. Bank (Atlanta), que só pode ser aberto com autorização de todos os diretores da empresa. E apenas dois executivos de produção (sem identidade revelada) têm acesso, cada um, a metade da tal fórmula. Tão grande é esse zelo que a Coca-Cola preferiu abandonar um país como a Índia, que muito em breve será o mais populoso do mundo, a ter que cumprir ordem governamental de revelar a fórmula.

O produto era, nesse início, oferecido em garrafinhas de 185 ml, concebidas por Joseph Biedenharn. Bem diferentes, ainda, daquelas que viriam a ser definitivas, com 200 ml, verdes (no Brasil são brancas), em estilo art nouveau - criadas, em 1915, por Earl Dean. Segundo o próprio artista, inspirada nas curvas do corpo da mulher, escondidas nas saias pregueadas que vestiam na época. Não por acaso essa embalagem recebeu o nome de Mae West, símbolo sexual da América de então. Deu certo. Sucesso de marketing e de vendas. Candler ganhou milhões de dólares, foi eleito prefeito de Atlanta e entregou o negócio ao filho Howard - que em 1923, por 25 milhões de dólares, vendeu a "Coca-cola Company" a Ernest Woodruff. Logo depois, o velho Candler teve um derrame cerebral e acabou morrendo. Muito triste e muito rico.

Para Woodruff, feliz adquirente do negócio, "Coca-Cola era o sonho americano numa garrafa". Sua estratégia de venda passou a ser "um cartaz em cada esquina, e garrafas de Coca em todos os estabelecimentos". Para conquistar o público infanto-juvenil, em 1931, contratou o publicitário sueco Haddon Sundblom. Assim nasceu, como conhecemos hoje, a figura de Papai Noel. Desde 1881, por conta dos desenhos de Thomas Nast na Harper's Weeklys, o bom velhinho era magro e se vestia de azul, amarelo, verde e vermelho. Acabou gordinho (como a garrafa) e vestindo as mesmas cores do rótulo (vermelho e branco). Até hoje. Sundblom também sugeriu que fossem criados slogans próprios, em cada país. Intelectuais locais eram então escolhidos, para criar esses slogans. Em Portugal, por exemplo, foi contratado Fernando Pessoa - daí nascendo, em 1928, o slogan "Primeiro estranha-se. Depois entranha-se". Um desastre completo; que o Ministério da Saúde proibiu a venda do produto, por considerar ser uma descrição das sensações que ocorrem com os alucinógenos. E Salazar mandou jogar todas aquelas garrafas importadas no Tejo. E a Coca-Cola voltaria a Portugal só depois da Revolução dos Cravos (25 de Abril de 1974). (Continua no próximo sábado).

Receita: Frango na Coca-Cola
Ingredientes:

800 g de frango em pedaços (coxa e sobre-coxa)
1 pacote de sopa "creme de queijo"
1 garrafa pequena de Coca-Cola
Manteiga

Preparo: -Tempere o frango a gosto. Passe manteiga no frango e envolva cada pedaço com o creme de queijo. Coloque em assadeira untada de manteiga e regue com Coca-Cola.
-Leve ao forno, coberto com papel-alumínio, por aproximadamente 40 minutos. Retire o papel e deixe dourar.

Lecticia Cavalcanti coordena o caderno Sabores da Folha de Pernambuco, escreve na Revista Continente Multicultural e no site pe.360graus.

Fale com Lecticia Cavalcanti: lecticia.cavalcanti@terra.com.br

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Reprodução
Desde 1881, o bom velhinho era magro e se vestia de azul, amarelo, verde e vermelho. Acabou gordinho e vestindo as mesmas cores do rótulo

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