Atualizada às 12h26 Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo
Estimados leitores, estimadas leitoras, estava aqui olhando para o Manuel e seus três meses e pensando no que o mundo tem para oferecer aos meninos. Como todos sabem, essa coluna recebe muitos assuntos e as mais diversas opiniões, mas ela é, acima de tudo, um espaço dedicado à verdade. E é nesse espírito distinto do que seria conveniente, confortável, ou seguro, que a coluna vem dizer o que todos suspeitavam, muitos sabiam, mas poucos ousavam falar acima do nível de um sussurro: ser homem não é apenas bom, mas ótimo, e muito provavelmente, bem melhor do que qualquer das alternativas que a natureza e a imaginação oferecem à espécie humana.
Simone de Beauvoir, aquela dos turbantes, dizia que alguém não nasce mulher, se torna mulher. Pois eu diria que a gente nasce homem. Os homens, quero dizer. Ninguém precisa nos convencer de que esse é o caminho mais conveniente, ou de que ser homem é um modelo a ser ou não seguido. Claro que diante do falo não existe muito espaço pra dúvidas, e sim, motivos para curiosidade e exploração sobre o seu significado. Uma vez isto compreendido, e com a nossa simplicidade masculina nos guiando, nos dedicamos a essa descoberta dali para sempre, ou ao menos enquanto tivermos a chance de o fazermos. Simples, não?
Somos simples, e isso enlouquece a todos os seres humanos que não têm e mesma sorte de nascerem homens. Somos simples e por isso somos felizes. Só nós somos felizes. A outra parcela da humanidade, não. Ela pode ser muitas coisas, e todas elas muito superiores a nós, mas nós e apenas nós somos os contentes com a coisa toda. Bobos talvez, inconscientes, certamente; mas contentes.
Somos adaptáveis. Na hora de parar para ver Barça versus Real, nos adaptamos a qualquer superfície, desde que mais ou menos horizontal. Não somos muito exigentes com o mundo ou o que ele nos deu ou oferece. Nós somos os que tinham que ir lá fora atirar pedra em tigres, no tempo em que isso era realmente um problema. Os tigres, quero dizer. Nós tínhamos que sair para a caça e, conseguindo comida suficiente para sobreviver e mais um excedente para trocar por carinho com a mais linda beldade do neolítico, ficávamos absolutamente contentes. Ficávamos contentes simplesmente porque tínhamos conseguido matar algo que tinha todas as condições de fazer o mesmo conosco, e essa coisa ainda por cima era comestível, e nos permitia trocar o que sobrava pela satisfação de todos os nossos outros desejos, ora vejam. Esse sistema tão simples dava tão certo que o utilizamos até hoje, quando não precisamos mais ir lá fora com um arco, uma flecha e muita sorte. Hoje, trocamos o que sobra do nosso trabalho pela felicidade que o dinheiro pode comprar, e não sentimos culpa ou tristeza, ao contrário. Só quem lembra, atavicamente, de como as coisas eram duras, pode curtir assim numa tão boa as molezas do mundo de hoje, e é o que fazemos.
As mulheres não são assim, e sofrem do chamado "mal que não tem nome", a inexplicável tristeza feminina, que talvez alguns de vocês tenham encontrado por aí. Elas buscam algo que não sabem descrever e, portanto, jamais poderão encontrar. Nós saímos atrás de amor, cerveja ou baconzitos, trazemos para o aconchego de nossas cavernas atuais e, pronto, estamos felizes.
Temos a enorme vantagem de não precisarmos nos arrumar para sair. Além do banho e da troca diária de cueca não se espera absolutamente nada mais de um homem. Tudo que ele precisa saber é colocar camisa azul se quiser morar no Itaim, camiseta para fora das calças para ser descolado, e lembrar de sempre colocar as calças. Estudos mostram que apenas em tempo economizado com cosméticos um homem ganha, ao longo da vida, algo entre seis e doze anos na comparação com as mulheres! Não precisamos passar hidratante, creme antirruga, creme anti espinha, creme para o cabelo; não precisamos secar o cabelo, não precisamos nem ao menos ter cabelo, e, olhem que maravilha, ninguém se importa com isso! Em um momento de genialidade, e utilizando o nosso controle sobre a imprensa mundial, inventamos o mito do careca sexy! Somos mesmo imbatíveis.
Somos um projeto de médio e longo prazo. Se não somos grande coisa, ou mesmo apresentáveis à sogra antes dos trinta, começamos a acelerar aos quarenta e somos absolutamente vendáveis aos cinquenta. Não existe limite para o nosso prazo de validade e com alguma ajuda farmacêutica somos praticamente indestrutíveis, qual lavadora Brastemp e fusca 62.
Eu sei de casos de antepassados Carneiro da Cunha que dilapidaram a vasta fortuna do nosso baronato estando no auge dos seus oitenta e algo, com meninas de vinte e poucos e que estavam com eles unicamente por amor. Iniciamos tolos, crescemos tolos e tolos somos para sempre, o que não deixa de ser uma forma suprema de felicidade. Se você que me lê é homem, sinta-se feliz simplesmente por isso. Estamos o que estamos, somos o que somos, e isso é ótimo.
Fica a dica.
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Amor, cerveja e baconzitos: a receita masculina para a felicidade
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