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Sábado, 11 de fevereiro de 2012, 08h12

Uma breve história da Coca-cola (3ª parte, final)

Getty Images
Logotipo da Coca-cola em parte antiga do Cairo, no Egito
Logotipo da Coca-cola em parte antiga do Cairo, no Egito

Lecticia Cavalcanti
Do Recife (PE)

A Coca-cola, já vimos nos artigos anteriores, fez sucesso nos Estados Unidos e no mundo. Ao Brasil chegou em 1941, durante a Segunda Guerra. Primeiro em Pernambuco, onde havia uma base americana. Apenas para servir às forças armadas. Porque o proprietário da empresa, Ernest Woodruff, em um arroubo patriótico, decidiu que todo soldado americano deveria poder comprar o refrigerante, em qualquer lugar, pelos mesmos 5 cents que pagavam nas esquinas de suas casas. Pouco importava o custo. E logo a garrafinha se converteu em símbolo do orgulho americano. Para o bem e para o mal. No Recife, a produção começou na Fabrica de Água Mineral Santa Clara, mas logo se espalhou por todo o Estado e chegou a Natal - produzidos em mini-unidades, e a partir de kits importados. A primeira fábrica "de verdade" foi instalada no Rio de Janeiro - na Rua Conde de Leopoldina, em São Cristóvão. O concentrado e o gás, que vinham dos Estados Unidos, eram misturados em um enorme tanque de 300 litros, usando colheres de pau feitas com peroba do campo - madeira que não deixa gosto nem cheiro. Só no primeiro dia foram vendidas 1.843 caixas. O primeiro slogan, por aqui, apenas reproduzia o americano "A pausa que refresca" (1942). Depois veio aquele que é considerado, até hoje, o melhor de todos: "Isto faz um bem"(1952) - criação do consagrado romancista J.G. de Araujo Jorge. Em seguida outros, sempre ligando o produto à sua época. Como "Tudo vai melhor com Coca-Cola" (1964) - destinado a toda uma geração que ouvia Elvis Presley e Little Richard em festinhas regadas a Cuba Libre. Ou "Isso é que é" (1970) - exaltando a natureza. Ou "Coca-Cola é isso aí" (1982) - com o piano de Tom Jobim tocando "Águas de março". Até o atual "Cada gota vale a pena". "Se a alma não é pequena", poderíamos dizer como Pessoa.

Passa o tempo, e o produto foi se sofisticando. Latas de alumínio apareceram em 1950; a garrafa família (760ml), em 1959; máquinas post-mix, em 1970; Coca de litro, em 1976; Diet Coke, em 1983; tampas de rosca, que permitiam guardar os refrigerantes deitados, na geladeira, em 1985; embalagem descartável "one way", em 1988. Depois, para conquistar o mercado dos gordinhos, vieram Coca Zero (sem nenhum açúcar) e Coca Light Lemon (com sabor de limão e menos calorias). Intervalo, nesse caminho de sucessos, foi a tentativa de reduzir custos da fórmula original com a "Nova Coca" - lançada na primavera de 1985. Problema era que esse novo sabor acabou sendo muito ruim. O Wall Street Journal fez teste com funcionários da própria Coca-Cola, na fábrica de Atlanta; e, mesmo ali, aquele novo sabor da Coca perdeu para o da Pepsi. Sem contar que o mundo assistiu à mais cara campanha publicitária de todos os tempos, com Michael Jackson. Nas telas, ele aparecia dançando, rodopiando e segurando latas de Pepsi com sua luva colorida. Um desastre para a Coca, que virou até piada em manchete do Post (de Nova York): "Descanse em paz, aqui jaz a Coca-Cola, 1885-1985". Passando, a Pepsi, a ser o mais consumido refrigerante dos EUA. Por pouco tempo; que, noventa dias depois, voltou o velho sabor - agora com o nome de "Classic". E vieram novas campanhas de marketing, ainda mais caras. Entre elas, na Copa de 86 no México, a invenção da "Ola" - com a torcida, em um senta-levanta, imitando as ondas que se vêem no rótulo. Logo voltando a velha Coca a ser a número um. Com poucas exceções, em países como Escócia (onde a preferida é uma bebida local, a Irn Bru), Canadá (com o Canadá Dry) ou Argentina (com a Pepsi).

Em média, hoje, são vendidas 40.000 garrafas/latinhas por segundo. Em todo lugar. Até no Oriente Médio, onde é conhecida como Mecca-cola - uma marca "islamicamente correta". Coca-Cola se toma pura, com gelo e rodelas de laranja ou limão; ou como base de bebidas famosas - Cubra Libre (com rum) e Vaca Preta (com sorvete de creme). É também ingrediente de bolos, tortas e carnes (galinha, porco, carneiro) assados. Até, por ironia do destino, em alguns casos voltou a ser usada como remédio para enjôo, enxaqueca, ressaca, desidratação - embora, disso já soubesse John Styth Pemberton, seu inventor, há mais de um século. Cumprindo, por fim, lembrar que também se presta para fins heterodoxos, impensáveis para seus criadores, como amaciante de carnes e desentupidor de pias. O mais saboroso desentupidor de pias do planeta. Para alguns.

RECEITA:

CUBA LIBRE (receita criada pelos soldados americanos, nas guerras da Independência cubana em 1898)
INGREDIENTES: 1 dose de rum, 1 copo de coca-cola, 2 pedras de gelo.
PREPARO: Misture tudo (sem bater) em um copo de Long Drink

VACA PRETA;
INGREDIENTES:1 pote de sorvete de creme, ½ litro de coca-cola.
PREPARO: Misture bem todos os ingredientes. Coloque em taças e sirva.

Lecticia Cavalcanti coordena o caderno Sabores da Folha de Pernambuco, escreve na Revista Continente Multicultural e no site pe.360graus.

Fale com Lecticia Cavalcanti: lecticia.cavalcanti@terra.com.br

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