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Segunda, 13 de fevereiro de 2012, 11h09

PT vai procurar Marta para falar sobre Kassab e evitar crise em SP

Agência Brasil
Corro o risco de acordar num palanque de mãos dadas com Kassab, disse a senadora
"Corro o risco de acordar num palanque de mãos dadas com Kassab", disse a senadora

Marina Dias

A direção do PT em São Paulo deve procurar a senadora Marta Suplicy nos próximos dias para uma conversa sobre a possível aliança entre o candidato petista à Prefeitura, Fernando Haddad, e o PSD de Gilberto Kassab. Marta disse que considera o eventual acordo um "pesadelo" e não disfarçou seu mal-estar a respeito das conversas sobre a dobradinha, defendida principalmente pelo ex-presidente Lula. "Preciso ser muito cuidadosa, porque senão corro o risco de acordar num palanque de mãos dadas com Kassab", declarou a senadora na semana passada.

Dirigentes do PT paulistano afirmam que falarão com Marta no sentido de que a aliança ainda não está selada, para acalmar os ânimos, e não acreditam que ela ficará de fora da campanha de Haddad. "Marta sempre foi muito disciplinada em todas as campanhas do PT e agora não será diferente. Vamos tentar convencê-la a estar ao lado do candidato o mais breve possível", explicou um petista.

A senadora explicou a vários interlocutores que entraria na campanha "no momento certo" e que sua ausência nas três reuniões do conselho político de Haddad não deveria ser considerada "omissão". "Marta se engajará no início das atividades de maior envergadura, como caminhadas e plenárias, que se iniciam somente em abril", garantiu outro dirigente do PT-SP.

Em 16 de novembro, como noticiou Terra Magazine, Marta recebeu Fernando Haddad em sua casa, em Brasília, e prometeu estar junto com ele durante a campanha. À época, pessoas próximas a Haddad classificaram a conversa como "amigável e positiva".

Na última semana, o vereador Francisco Chagas (PT-SP) enviou um ofício a Marta pedindo maior participação dela na campanha em São Paulo e isso gerou desconforto em grande parte da direção do PT paulistano, já que, segundo petistas, ainda não há campanha de fato. Correligionários de Chagas acreditam que Marta não gostou do que leu e, por isso, atacou a provável aliança PT-PSD.

Para os petistas, caso o acordo com Kassab se concretize, Marta poderá ter resistência em subir no palanque ao lado do atual prefeito paulistano, de quem perdeu as eleições em 2008, mas isso não significa que ela não estará dedicada à campanha de Haddad.

Crise antecipada

A ordem dentro no PT-SP é evitar qualquer crise antecipada com Marta Suplicy, considerada peça-chave na campanha de Haddad à Prefeitura. Isso porque a senadora, que desistiu de sua candidatura em São Paulo a pedido de Lula e da presidente Dilma Rousseff, ainda possui muita força com a militância petista na periferia de São Paulo, onde Haddad tem pouca identificação.

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