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Quinta, 23 de fevereiro de 2012, 09h59 Atualizada às 10h04

Sem PSD, Haddad fará discurso de oposição, mas evitará críticas diretas a Kassab

Agência Brasil
Fernando Haddad apostará em um discurso propositivo, olhando para frente, dizem petistas
Fernando Haddad apostará em um discurso propositivo, olhando para frente, dizem petistas

Marina Dias

Dirigentes do PT-SP dão como certo o apoio do prefeito Gilberto Kassab (PSD) à possível candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo. Os petistas acreditam que o ex-governador será candidato pelo PSDB e que usou o feriado de Carnaval para conversar com a família e resolver os últimos detalhes antes de anunciar sua disposição em concorrer às eleições.

Segundo caciques do PT, a pressão dos tucanos foi enorme para impedir que Kassab fechasse uma aliança com os petistas, indicando um vice do PSD para a chapa de Fernando Haddad. "Desde o início de nossas conversas, Kassab disse que, caso Serra fosse candidato, não haveria possibilidade de não apoiá-lo. Isso por causa da relação que os dois possuem, eles sempre foram muito amigos, muito próximos", explicou um deles.

A cúpula da campanha de Haddad acredita que o PT teria muita dificuldade em desenvolver um discurso oposicionista caso Kassab estivesse na chapa. Sem o prefeito como aliado, isso poderá ser feito com mais naturalidade. Haddad fará um discurso de oposição, porém, sem que o foco das críticas seja essencialmente Kassab. A intenção é que seja um discurso propositivo.

O presidente estadual do PT-SP, Edinho Silva, defende que a campanha, mesmo de oposição, seja menos agressiva, para que possa conquistar outros setores sociais além dos 30% dos votos que os petistas dão como garantidos para o seu candidato em São Paulo. A ideia é que Haddad consiga penetrar, de alguma forma, em redutos mais progressistas da elite paulista.

"Temos que continuar construindo a candidatura de Haddad, mas penso que a candidatura de Serra forma um novo cenário eleitoral, onde o PT terá que organizar uma tática diferente da que vinha sendo pensada. Isso porque, com Serra, a elite e o campo mais conservador da cidade voltam a ficar unidos, o que não aconteceria caso Kassab estivesse ao nosso lado", declarou Edinho em conversa com Terra Magazine.

Kassab não

A ala do PT mais refratária à possível aliança entre petistas e Kassab, por sua vez, afirma que as últimas pesquisas de opinião mostram um crescimento do desempenho do PT em São Paulo, além dos 25% ou 30% que o partido está acostumado a ter nas eleições municipais.

Segundo eles, a capacidade de transferência de votos do ex-presidente Lula para um candidato do PT aumentou quase 10% desde 2010 e, com a baixa rejeição de Haddad, não seria necessário um discurso que poupe Gilberto Kassab. "Não acreditamos que o namoro que existiu entre Kassab e PT pode prejudicar a campanha, pelo contrário. Em algum momento, a má gestão de Kassab em São Paulo deverá ser jogada no colo de Serra, que será o candidato do PSDB", declarou um cacique petista.

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