Atualizada às 10h04 |
Agência Brasil
Fernando Haddad apostará em um discurso propositivo, olhando para frente, dizem petistas
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Marina Dias
Dirigentes do PT-SP dão como certo o apoio do prefeito Gilberto Kassab (PSD) à possível candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo. Os petistas acreditam que o ex-governador será candidato pelo PSDB e que usou o feriado de Carnaval para conversar com a família e resolver os últimos detalhes antes de anunciar sua disposição em concorrer às eleições.
Segundo caciques do PT, a pressão dos tucanos foi enorme para impedir que Kassab fechasse uma aliança com os petistas, indicando um vice do PSD para a chapa de Fernando Haddad. "Desde o início de nossas conversas, Kassab disse que, caso Serra fosse candidato, não haveria possibilidade de não apoiá-lo. Isso por causa da relação que os dois possuem, eles sempre foram muito amigos, muito próximos", explicou um deles.
A cúpula da campanha de Haddad acredita que o PT teria muita dificuldade em desenvolver um discurso oposicionista caso Kassab estivesse na chapa. Sem o prefeito como aliado, isso poderá ser feito com mais naturalidade. Haddad fará um discurso de oposição, porém, sem que o foco das críticas seja essencialmente Kassab. A intenção é que seja um discurso propositivo.
O presidente estadual do PT-SP, Edinho Silva, defende que a campanha, mesmo de oposição, seja menos agressiva, para que possa conquistar outros setores sociais além dos 30% dos votos que os petistas dão como garantidos para o seu candidato em São Paulo. A ideia é que Haddad consiga penetrar, de alguma forma, em redutos mais progressistas da elite paulista.
"Temos que continuar construindo a candidatura de Haddad, mas penso que a candidatura de Serra forma um novo cenário eleitoral, onde o PT terá que organizar uma tática diferente da que vinha sendo pensada. Isso porque, com Serra, a elite e o campo mais conservador da cidade voltam a ficar unidos, o que não aconteceria caso Kassab estivesse ao nosso lado", declarou Edinho em conversa com Terra Magazine.
Kassab não
A ala do PT mais refratária à possível aliança entre petistas e Kassab, por sua vez, afirma que as últimas pesquisas de opinião mostram um crescimento do desempenho do PT em São Paulo, além dos 25% ou 30% que o partido está acostumado a ter nas eleições municipais.
Segundo eles, a capacidade de transferência de votos do ex-presidente Lula para um candidato do PT aumentou quase 10% desde 2010 e, com a baixa rejeição de Haddad, não seria necessário um discurso que poupe Gilberto Kassab. "Não acreditamos que o namoro que existiu entre Kassab e PT pode prejudicar a campanha, pelo contrário. Em algum momento, a má gestão de Kassab em São Paulo deverá ser jogada no colo de Serra, que será o candidato do PSDB", declarou um cacique petista.
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