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Segunda, 12 de março de 2012, 13h30 Atualizada às 13h48

Paulo Maluf: Por ser um homem sério, Marin trabalhou comigo

Eliano Jorge


O cartola José Maria Marin guarda no bolso uma medalha de campeão
da Copa São Paulo de 2012 (foto: Reprodução)

O deputado federal Paulo Maluf, do PP-SP, avaliza a chegada de seu amigo e antigo vice José Maria Marin à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

- Ele é um homem muito competente - garantiu, em conversa com Terra Magazine. - Exatamente por ser um homem sério é que ele trabalhou comigo, se não ele não trabalharia comigo. Ainda convivo com ele. É um homem ligado ao esporte, ligado ao futebol desde criança. Está com 79 anos, tem um serviço prestado ao esporte brasileiro.

A renúncia de Ricardo Teixeira foi anunciada pelo substituto nesta segunda-feira (12), após desgaste provocado por escândalos que envolvem o nome do ex-presidente. O estatuto da CBF determina que assuma o cargo o mais idoso entre os cinco vice-presidentes da entidade.

- O fato de o Ricardo Teixeira ter renunciado não é problema meu nem seu. Agora, se você pergunta sobre o Marin, convivo com ele há 50 anos. É um homem honrado, corajoso, ele enfrentou a ditadura militar sendo candidato a vice-governador comigo, contra o candidato oficial do Planalto. Não tenho nenhuma restrição a ele, ao contrário, só elogios, pode colocar aí - opinou Maluf.

Além de comandar a Federação Paulista de Futebol na década de 1980, Marin substituiu Maluf no governo em 1982.

- Foi, inclusive, jogador profissional na sua juventude, no São Paulo Futebol Clube. Foi presidente da Câmara de Vereadores, foi deputado em diversos mandatos, foi vice-governador. Ele tem uma vida dedicada ao futebol - acrescentou Maluf.

O novo presidente da CBF virou notícia neste ano, ao ser flagrado pela TV Bandeirantes, guardando no bolso da calça uma das medalhas de campeão da Copa São Paulo, enquanto participava da cerimônia de premiação dos jogadores do Corinthians.

- Com todo respeito à mídia, foi uma exploração indevida. Ninguém precisa ficar com uma medalhazinha de bronze, escondido, sendo presidente da CBF. Isso foi uma exploração. Disseram que a medalha era de ouro, não tem medalha de ouro. Quem fica com uma medalha de bronze a não ser por recordação? Se ele tivesse pedido, teriam dado uma dúzia a ele - reclamou o amigo.

A queda

Há 23 anos, Ricardo Teixeira dirigia o órgão máximo do futebol nacional. Surgiu como o desconhecido genro de João Havelange, que presidiu a Federação Internacional de Futebol (Fifa) entre 1974 e 1998.

O mandato de Teixeira, de 64 anos, estava previsto para se encerrar em 2015. Seu caminho idealizado era concorrer à presidência da Fifa.

Nos últimos anos, ele tornou-se uma das pessoas mais influentes do País graças ao acúmulo de poderes na CBF e na presidência do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014. Entretanto, denúncias de corrupção ainda não comprovadas começaram a minar seu poder. Também se voltou contra ele a repercussão das suas próprias declarações à revista Piauí.

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