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Quarta, 28 de março de 2012, 18h03 Atualizada às 18h36

Maria Bethânia em seu Oásis: "Amar já é um protesto"

Claudio Leal/Terra Magazine
Maria Bethânia: sorriso e defesa da poesia no lançamento de seu Oásis
Maria Bethânia: sorriso e defesa da poesia no lançamento de seu "Oásis"

Marlon Marcos
Especial do Rio de Janeiro

Prestes a lançar no mercado fonográfico brasileiro o seu mais recente trabalho, o CD Oásis de Bethânia, a cantora santo-amarense, em entrevista coletiva na sede de sua gravadora, a Biscoito Fino, no Rio de Janeiro, descontraidamente, falou sobre suas novas incursões musicais, e sobre a sua constante tentativa de imprimir maneiras inéditas de expressar o canto que a consagra como uma das mais importantes cantoras brasileiras e  como a artista mais inventiva em atividade em nosso cancioneiro.

Motivada a falar sobre criação artística e as novidades estéticas que compõem o novo disco, a cantora desfiou: "Eu sempre busco novas sonoridades, me intrigo, me mobilizo; o resultado com Oásis me lembra a sonoridade que alcancei com Ciclo (1983), e é isso que me dá sentido para entrar em estúdio e depois lançar um novo trabalho".

Oásis de Bethânia foi construído a partir da intervenção musical de vários músicos arranjadores. São 10 canções guiadas por nomes como Djavan, Lenine, Hamilton de Holanda, Marcelo Costa, André Mehmari, Mauricio Carrilho, Jorge Helder e o fiel escudeiro, o maestro Jaime Alem; cada qual cuidou dos arranjos sob a orientação e o desejo de expressão da cantora, o resultado em si já inova a forma pela qual, em décadas, orientou a elaboração musical de Bethânia, sempre contando com as exclusivas intervenções de Jaime Alem.

Com a desenvoltura de sempre, a cantora passeou por vários aspectos da cultura brasileira, de poesia até o novo disco de Gal Costa: " Não é um disco pra se ouvir todo dia, nem toda hora. Adorei a primeira música ( Recanto Escuro). É um disco de Caetano Veloso, o qual ele escolheu Gal como intérprete".

Maria Bethânia faz 47 anos de carreira (oficialmente) e, segundo foi informada, atingindo o exato número de 50 discos lançados ao longo de mais de quatro décadas. Uma carreira marcada, como ela insiste, pelo prazer de cantar e de se relacionar com o palco, com a arte. Nesse quesito recita Ferreira Gullar: "A arte existe porque a vida não basta".   Intrépida em sua caminhada a favor da poesia de todo dia, ela reúne neste trabalho, o melhor de uma lítero-musicalidade que convida o público brasileiro a olhar, reiteradamente, para o sertão do Brasil, este que representa o paraíso estético que tanto comove a Maria nascida na região Nordeste.

O disco fala de amor como rebeldia, para tanto, ela confirma: "amar já é um protesto", e assim rebate, com a elegância que lhe construiu, as críticas sofridas sobre a criação do blog O mundo Precisa de Poesia, projeto oferecido a ela pelo antropólogo Hermano Vianna, que em "desagravo pesado e soturno" parte da opinião pública deste país negou a efetivação.

Mas como ela mesma diz, parafraseando seu amado Chico Buarque: "Mas eu não quebro não, porque eu sou macia". E segue serenando entre amor e protesto, sons e poesia, preparando o show que apresentará ao país o Oásis de Bethânia que todos já conhecem desde 1965.

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