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Terça, 25 de abril de 2006, 21h12

ACM e deputado do PT trocam insultos via fax

Bob Fernandes

Com uma troca de fax, em termos duríssimos, prossegue a batalha entre o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) e os que o acusam de ter o presidente da Propeg, Fernando Barros, como seu testa-de-ferro. Na segunda-feira, da tribuna da assembléia legislativa baiana, o deputado Emiliano José (PT) vocalizou ser o publicitário Fernando Barros, dono da agência de publicidade baiana Propeg, "o testa de ferro de Antonio Carlos Magalhães" em pelo menos dois grandes negócios:

- Além de sócio-proprietário do Terminal Portuário de Cotegipe (TPC) na Base Naval de Aratú (N.da R.: dentro da Baía de Todos os Santos), um negócio bilionário, o publicitário Fernando Barros, também dono da C. Port Porto Cotegipe, tornou-se o operador do porto Ponta da Laje, que vem a ser nada menos que o porto da Ford, que tem R$ 24 milhões de investimento do Governo da Bahia e exporta os carros da multinacional plantada em Camaçari.

» Leia aqui a matéria "Dono da Propeg é testa-de-ferro de ACM"
» Leia e ouça aqui a resposta do senador ACM
» Leia aqui a resposta do publicitário Fernando Barros
» Leia aqui a resposta do senador César Borges
» Quem tem razão no embate ACM x Emiliano? Opine!

Depois de responder ao deputado numa entrevista a Terra Magazine, o senador, agora de seu gabinete no Senado, enviou um fax ao deputado na Assembléia Legislativa. Em 14 linhas Antônio Carlos Magalhães disparou:

"Mais uma vez, a sua boca suja deu vazão aos seus ódios cinzentos como é a sua vida.

Quero dizer que nunca tive e não tenho qualquer sociedade com o Fernando Barros ou qualquer outra pessoa. Inclusive, se o sr. encontrar alguma cota, passo-as para a senhora sua mãe a fim de que lhe sirva como herança no seu triste fim de vida.

Afirmo, também, que o meu filho nunca teve sociedade com o Fernando Barros.

De um canalha, não se pode esperar nada que não tenha a mácula do seu caráter.

Não tenho tempo a perder com uma pessoa da sua laia.

Quanto às suas mentiras, eu respondo a elas com as minhas verdades.

Chega! Para uma figura deletéria como a sua.

O fax chegou a todos os deputados da assembléia da Bahia e o debate em torno da denúncia ocupou toda a sessão. O deputado Emiliano José respondeu da tribuna, e leu o fax a ele endereçado pelo senador. Leu também o fax de 23 linhas que mandou para Antônio Carlos Magalhães em Brasília:

"A declaração chula, grosseira, típica de moleque do Campo da Pólvora (NR: bairro de Salvador) que Vossa Excelência nunca deixou de ser, não é bastante para esclarecer o impressionante assalto que Vossa Excelência fez e faz ao Estado da Bahia, a impressionante privatização dos interesses públicos, o favorecimento permanente de si próprio, seus familiares, apaniguados e testas de ferro.

Não me ameace porque se não tive medo quando Vossa Excelência era um rastejante bajulador que se escondia por trás da ditadura militar, quanto mais agora, que não é mais do que um ex-coronel fracassado, que saiu pela porta dos fundos para não ser cassado, quando da violação do painel do Senado, e que se acostumou a grampear pessoas para compensar sua fraqueza pessoal.

Não cite minha mãe em sua boca suja, nem minta sobre a presença do nome de seu filho Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Junior como proprietário das empresas Cosmo Express Ltda. e Pronto Express Ltda., hoje escondidas como sendo propriedade do seu preposto Fernando Barros.

Não ouse falar em verdades e mentiras, pois Vossa Excelência nunca soube a diferença entre os dois conceitos. Não fosse o imenso prejuízo que Vossa Excelência causa à Nação e à Bahia, nunca perderia meu tempo com gente de sua espécie."


O senador César Borges, governador à época dos negócios e também citado pelo deputado petista, apontou uma razão que, no seu entender, teria motivado a denúncia:

- O PT da Bahia fez uma tramóia numa licitação no Porto de Aratú (na baía de Todos os Santos), tramóia essa em favor da multinacional Bunge Alimentos, que quer dominar toda a logística da produção e distribuição de soja no Brasil. E ainda teve um "benefício" para o ex-presidente da Companhia das Docas, Geraldo Simões, candidato a deputado.

 

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