Terra Magazine

 

Sábado, 29 de abril de 2006, 07h49

As Cobras do Verissimo estão de volta

Depois de quase dez anos retiradas da vida pública, as Cobras de Luis Fernando Verissimo voltam para comentar as grandes - e as pequenas - questões nacionais. Uma tira inédita toda a segunda-feira, exclusivamente no Terra Magazine.

»Veja as Cobras aqui

Verissimo havia decidido aposentar as Cobras quando fez 60 anos, em 1997. Comunicou, então, que "não ficava bem um sexagenário desenhando cobrinhas".

Elas, as Cobras, eram então quase balzaquianas.

Apesar de protestos dos fãs - que tornaram "cult" personagens como "Dudu, o Alarmista", "Queromeu, o Corrupião Corrupto", as lesmas Flecha e Shirlei, e as Cobras "frente ao infinito" - Luis Fernando Verissimo não pretendia ressuscitá-las.

Dez anos depois, no entanto, a força dos acontecimentos levou Verissimo a criar, para o Terra Magazine, mais uma série de tiras.

As Cobras, nesses dias, se encontravam num período de adaptação. Precisavam acostumar-se novamente à luz, ao meio ambiente e, especialmente, ao ambiente no meio. Tudo é possível diante do que irão encontrar. No meio e no ambiente.

Em 1997, para dar um exemplo ao internauta mais jovem, Fernando Henrique navegava no Real paritário e jurava que o câmbio jamais seria mexido.

Em 1997 Gustavo Franco presidia o Banco Central e a cada empresa nacional que fechava as portas pedia calma: aqueles eram apenas efeitos colaterais daquilo que ele mesmo batizou de destruição criadora.

Em 1997 o Serjão Motta sonhava com o PSDB no poder por mais 20 anos e o PT de Lula era o mais ácido crítico da corrupção no aparelho de estado.

Em 1997 o deputado Roberto Jefferson ainda era obeso, não cantava árias com as janelas entreabertas e ainda não havia percebido que as votações no congresso eram movidas a dinheiro.

Em 1997, como em 1987, em 1977, em 1967, ele, vez por outra, levantava seu brado contra os corruptos. Ele, o Antônio Carlos Magalhães.

Em 1997 o Neto já existia, ainda era pequeno - melhor, era menor - mas ainda não havia se tornado um caçador de corruptos. Ele, o Antônio Carlos Magalhães Neto.

Em 1997 Ronaldinho só tinha um.

Em 1997 o eleitorado de São Paulo dizia ao Maluf que ele podia. Desde que fizesse.

Em 1997 o Zagalo estava na seleção. Como estava em 1957.

Em 1997 o PFL estava no poder. Como estava em 1987, em 1977, em 1967, em 1957...em 1577.

Donde, seria preciso gigantesco esforço para a readaptação das Cobras do Verissimo ao meio.

Como? O PFL está na oposição? O Bornhausen, o ACM, estão na oposição? O Marco Maciel, até ele (!!!!) está na oposição?

Quem? Henrique Meirelles? O do Banco de Boston, é o presidente do Banco Central do governo Lula?

O José Dirceu foi cassado? Por formação de quadrilha?

E os acusadores? Quem? O Álvaro Dias? O Garibaldi Alves? O Neto? O Faria de Sá? O Jefferson?

O pessoal do PSDB é quem acusa a apropriação do estado por um grupo?

Um pessoal do PT botou o caixa dois, ou três, num banco? O "por fora" foi posto dentro? E foram receber na boca do caixa, com carteira de identidade? God!

Quanta deglutição!

Bem-vindas, caríssimas Cobras. Saudações ao Criador. Digam a ele que todos entenderemos se elas não resistirem ao meio. E ao ambiente.


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