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Quinta, 4 de maio de 2006, 08h09

Seleção beija taça "batizada" para argentinos

Luciano Borges

Dia 24 de julho de 2004, véspera da decisão da Copa América disputada no Peru. Sábado à noite. Duas equipes de televisão marcam um jantar regado à cerveja num quarto de hotel em Lima. Junto com os oito profissionais estava a taça que seria entregue no dia seguinte à seleção que vencesse a final: Brasil ou Argentina.

O objeto foi emprestado para que as duas equipes fizessem imagens dele para vinhetas que seriam usadas na tarde seguinte.

» Veja as fotos da taça antes e depois da conquista do título
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A Seleção Brasileira foi para o torneio toda desfalcada. O goleiro era Júlio César, o lateral-direito, Maicon. Além deles, Carlos Alberto Parreira levou o zagueiro Cris, o lateral-esquerdo Gustavo Nery e o armador Felipe.

Na primeira fase, o Brasil terminou em segundo lugar no Grupo C, perdendo para o Paraguai. Depois, o time foi pegando jeito, eliminou o México e Uruguai em jogos difíceis e emocionantes.

Já a Argentina, dirigida por Marcelo Bielsa também passou aperto na fase inicial, sendo derrotada pelo Uruguai. O time, desenhado para disputar a Olimpíada de Atenas, tinha o goleiro Abbondanzieri, o volante Mascherano, o atacante Carlitos Tevez e o armador D´Alessandro. Todos se tornariam campeões olímpicos no mês seguinte.

Os argentinos chegaram à disputa do título depois de baterem o Peru e a Colômbia. Estavam entrosados. Por isso, ganharam status de favoritos.

Pelo menos, esta foi a análise feita pelos profissionais brasileiros -pré e pós cervejada - que na noite do sábado comemoraram o final da cobertura. Muita cerveja depois, no quarto, ficaram olhando para a Copa América, a taça.

De um dos nacionais partiu a idéia:

- Já que os caras vão ganhar mesmo, por que não batizamos esta taça?

A adesão foi geral. E exagerada, para dizer o mínimo. Escatológica, inaceitável para quem se escandalizou com a suposta cusparada de Tevez na garrafa d´água entregue ao técnico Parreira antes do jogo pelas eliminatórias em Buenos Aires.

Uns abaixaram as calças e passearam com a genitália pelo troféu. Longos passeios, performances variadas. A foto aqui publicada, uma entre elas, mostra o início da sessão.

Outros preferiram variar, e a taça andou de nádegas em nádegas, para dizer o mínimo. Cusparadas - endereçadas ao capitão argentino que ergueria a Copa América - também fizeram parte do ritual.

No dia seguinte, o troféu foi levado para o Estádio Nacional de Lima. O jogo foi mais difícil do que as equipes de TV imaginavam. Até os 42 minutos do segundo tempo, a Argentina vencia por 2 a 1 e parecia caminhar rumo ao título. Mas, aos 48mins, o atacante Adriano empatou o jogo.

Na decisão por pênaltis, o Brasil ganhou por 4 a 2. Os jogadores da amarelinha foram à loucura. Campeões quando ninguém esperava. Eufóricos, esperaram a cerimônia da entrega das medalhas. Cada um recebeu a sua. Aí foi a vez do presidente da Confederação Sul-Americana, Nicolas Leoz, entregar o objeto de desejo da moçada.

Enquanto Edu, Alex, Adriano, Gustavo Nery, Júlio César beijavam a Taça, os rapazes da performática madrugada tapavam os olhos, se contorciam nas cabines de imprensa.

- Meu Deus, eles estão beijando aquilo ali - constatou um dos cinegrafistas ante a perplexidade dos companheiros.

Em tempo: os performáticos não tiveram tempo, antes - muito menos coragem, depois - de avisar os jogadores do Brasil que a Copa América estava "batizada".

 

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