José Carlos Brunoro é referência quando o assunto é gestão e marketing esportivo. Técnico consagrado de vôlei, sua carreira nessa área despontou com a gerência da co-gestão Palmeiras e Parmalat, ainda na década de 90. Desde então, vem realizando diversos projetos importantes nas áreas públicas e privada, onde atualmente é  diretor de esportes do Pão de Açucar e presta consultoria para clientes como a Red Bull e o Instituto Wanderley Luxemburgo. Na área acadêmica, criou um dos mais respeitados cursos ministrado pelo Instituto Trevisan. O blog Jogo de Negócios conversou com Brunoro sobre a política do governo no esporte, Olimpíadas no Rio, Copa de 2014 e a atuação dos empresários no futebol.

Por que você saiu do Conselho Nacional de Esportes?
Eu ainda não saí. Pelo menos não informei nada oficialmente, mas estou para conversar com o mInistro Orlando Silva.

Como avalia o trabalho realizado lá?
Na verdade eu entrei para organizar o projeto da Timemania, foi criado um departamento de marketing e gestão de clubes para isso.  E esse foi o meu comprometimento com o governo. O projeto foi entregue, está feito e depois o governo tocou a parte política. Após esse trabalho eu fiquei no Conselho, mas sem muita atuação.

O governo tem liberado muita verba pública, até sem licitação, para a campanha da Rio-2016. O que você acha dessa candidatura? Já estamos prontos para realizar esse evento?
O Brasil tem organização e de mão de obra para receber qualquer evento esportivo. Temos profissionais gabaritados e condições de fazer. Apenas acredito que estamos ultrapassando algumas situações. A primeira delas é que pensamos em fazer o evento, mas não em dar apoio ao atleta. Nós não temos preparação de atletas. Os trabalhos feitos pelas confederações, com algumas exceções, são muito fracos e não investimos em aparelhos ou treinamento. Não existe um projeto consistente para isso. Então, se tivemos esse empenho, na mesma proporção que temos para querer organizar as Olimpíadas, seria o ideal. Tivemos um alto custo, exagerado, para os Jogos Pan-Americanos, que não é uma competição tão importante e nem precisaria de tanto investimento de estrutura. A idéia, diziam, era que esse custo serviria de base para uma possível Olimpíada, mas com o tempo começam aparecer casos como da natação, onde os equipamentos não servem para competições olimpicas… fica claro que teve falha de planejamento e isso me preocupa. Então eu acho que o Brasil pode e deve partir para uma candidatura, mas quando também tiver um projeto para o atleta.

O mesmo pensamento vale para a Copa de 2014 ou é diferente? Quais as diferenças que você aponta entre um projeto e o outro?
Para o Brasil, é muito mais importante a Copa do Mundo de 2014 do que a Olimpíada. Primeiro porque algumas ações da Copa valem para o país inteiro. Provavelmente teremos 12 sedes, então serão 12 cidades com melhorias nos estádios, infra-estrutura, transportes… e até o futebol, que é um dos maiores empregadores do país, vai ser incentivado. O valor agregado para o Brasil, vai ser muito maior do que uma Olimpíada, onde poderemos ter melhorias em apenas uma cidade, com um monte de equipamentos que no futuro são mal utilizados. Até com relação aos gastos públicos eu acredito que na Copa serão bem menores do que nas Olimpíadas. A única vantagem de termos uma Olimpíada seria se conseguissemos desenvolver o esporte como um todo, com mais praticantes e formação de novos atletas. Mas mesmo assim, faríamos o que com esses atletas? Manda tudo para o Rio de Janeiro?

Atualmente você dirige um projeto de longo prazo na área do futebol para o Pão de Açucar e presta consultoria para a Red Bull. Porém, nessa Copa SP temos a participação de vários “times de empresários”, onde os atletas são objetos de negócios e já tem seus direitos presos a grupos de investidores, longe dos clubes. Qual a sua opinião sobre essa situação atual?
Quando eu vejo crescer esse cenário de gente colocando dinheiro para comprar jogadores, eu fico muito decepecionado com os clubes. Porque esse papel deveria estar totalmente cumprido pelos clubes, que deveriam ter suas categorias de base fortes, com caixa para fazer negócios. Então essas pessoas e empresas ocuparam um espaço que os clubes deixaram, por falta de um profissionalismo mais adequado na gestão. Assim criou-se uma oportunidade de mercado. E estão no mercado profissionais de alto nível, como no caso da Traffic e algumas outras, e também os picaretas, os aproveitadores. As pessoas falam da Traffic, mas eles estão preocupados em montar um time de base, com profissionais, estrutura, centros de treinamentos, enfim, com o conjunto da obra. Isso é bom para o futebol. Agora, aqueles que só vivem de comprar, vender, etc, nesse caso é opotunismo, que, repito, só acontece por causa da omissão dos clubes, que deixaram isso acontecer. Que os clubes possam tirar lições disso tudo.