A regra (ridícula) da Federação Paulista de Futebol de estabelecer o preço mínimo do ingresso para o campeonato estadual em R$ 40 durou apenas um mês. O Palmeiras solicitou que o valor para seus próximos três jogos caia para R$ 20 e outros times também já se manifestaram pedindo a mesma coisa. A explicação é simples: um regulamento que não tem apelo nenhum e, óbvio, estádios que não oferecem o mínimo de conforto para o público.
O Corinthians vem praticando preços dignos de Europa para seus jogos da Libertadores, com uma cadeira coberta sendo vendida a R$ 500. O time está bem, foi campeão no ano passado e se reforçou ainda mais para este ano, então a demanda ainda é alta. Resta saber se esta é uma nova realidade ou uma situação pontual.
Mas o tema preço dos ingressos vem dominando a pauta não só no Brasil.
Curiosamente na Inglaterra, palco da Premier League, a principal e mais rica do mundo atualmente e que oferece justamente o contrário, ou seja, grandes times e estádios com total conforto, os protestos dos torcedores são ainda mais fortes.
Diversos grupos se organizaram para protestar contra os preços dos ingressos, hoje na casa de 60 libras para os mais baratos (ou cerca de R$ 180) para os torcedores do Manchester City – lá cada time tem autonomia para definir.
Afinal, quanto vale o show?
O The Guardian publicou um estudo com os times das quatro principais ligas europeias (Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra) onde analisou o preço praticado por casa um deles e a média geral dos campeonatos (confira todos os números neste link). Segundo a pesquisa realizada, ingresso de jogo mais caro numa liga da Europa é de R$ 365 para alguns jogos da Espanha, bem abaixo dos R$ 500 praticados durante a Libertadores do ano passado. Já os alemães podem comprar o ticket mais baixo entre as quatro ligas, com R$ 30.
Há algum tempo os clubes brasileiros sobreviviam apenas com a venda de jogadores, hoje o dinheiro da televisão é o mais importante. A bilheteria tem que estar entre as principais, fato. Mas isso não pode ser feito por meio de regulamento ou aproveitando situações. O torcedor merece respeito, ou seja, pagar o que é justo pelo espetáculo e arena.