O Ultimate Fighting Championship tem sido econômico no casamento de lutas dos eventos de segundo escalão da organização, os chamados UFC on Fox, UFC on FX e UFC on Fuel TV.

A crescente demanda por eventos e a expansão da franquia mundo afora justifica cards em que, na maioria das vezes, somente a luta principal tem apelo aos fãs das artes marciais mistas.

A medida se faz necessária mormente pelo alto custo com a produção e logística além-mar. Em contra-partida, investe-se em oportunidades a lutadores locais, o que resulta em descontentamento do público ávido por épicos combates.

Os ingleses, por exemplo, já reclamam a presença de ídolos naquele que é o principal mercado do Ultimate na Europa e essa será a tendência dos países que sediam cards fora dos Estados Unidos.

O Brasil já foi agraciado com protagonistas de renome como Anderson Silva, José Aldo e Vitor Belfort, mas, com exceção do primeiro espetáculo no Rio de Janeiro, que marcou o retorno do UFC ao berço do esporte, os demais cards notabilizaram-se pela semelhança a evento nacional.

Paradoxalmente, os atletas escalados se entregam de tal forma que, de meros coadjuvantes em busca da consolidação da carreira, passam a estrelas efêmeras de atuações que muitas das vezes não se repetem, mas servem ao propósito de apresentar um show que justifique o valor do ingresso pago pelo público.

Ainda que a doação dos lutadores compense a inolvidável ausência de estrelas, o UFC terá de rever a estratégia de promoção de eventos colocando, no mínimo, duas lutas relevantes para evitar fiascos como o UFC 151, que maculou o legado da organização como o único card cancelado em vinte anos de operações.

Quando Dan Henderson anunciou a contusão no joelho a poucos dias do combate contra Jon Jones, o presidente Dana White se viu em meio ao caos, já que a co-luta principal reunia Jake Ellenberger e Jay Hieron, que em situação normal, jamais fariam a luta de fundo de um espetáculo daquela magnitude.

O UFC on Fuel TV 9 sofreu o mesmo mal. Com a saída de Alexander Gustafsson da segunda edição sueca, Gegard Mousasi ficou a mercê de um competidor que se digna-se a enfrentá-lo a cinco dias da realização do confronto. Após piada de mal gosto de Wanderlei Silva e tentativa frustrada de Vitor Belfort e salvar o main event, o incógnito Ilir Latifi, da Suécia, assumiu o posto de substituto da estrela máxima.

Só o futuro revelará ocorrências infelizes para o Ultimate Fighting Championship – e seus consumidores – ou a habilidade da organização em se adiantar a situações contingenciais ordinárias em um esporte de contato físico que demanda de seus praticantes treinos de alto nível físico e técnico.

imagens: divulgação

Pergunta aos leitores do blog: Até quando o UFC insistirá em promover eventos de pouco apelo junto ao público geral do esporte?

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