De Roma, para Terra Magazine

1. Para os 007 do serviço secreto russo, aqueles  que continuam a dar expediente no famoso prédio da praça Lubyanka, antes chamados de agentes da KGB, um grupo de 19 mulheres camicases foram  treinadas e estão na iminência de promover novos ataques à Rússia.

Elas não só matarão mais passageiros nas estações do metrô de Moscou, como acabou de ocorrer na segunda-feira, com 39 mortos. Estarão em outros locais de concentração popular, falam os 007.

As chamadas “viúvas negras” estariam ligadas ao terrorismo checheno, em ações preparadas por Doku Umarov, que se autoproclama chefe do Emirado Cáucaso.

Os cidadãos russos foram colocados em alerta e todos lembram bem das tragédias havidas no teatro Dubrovka (2002) e na escola de Beslan (2004). Também não esquecem  da prometida vingança por ter o então presidente Wladimir Putin, em julho de 2006, mandado o exército russo combater a guerrilha chechena. E o exército matou o líder Shamil Basayev.

 Ontem, a missa pelas vítimas que seria realizada na catedral do Cristo Salvador foi suspensa e o local esvaziado após disparar um dos alarmes antibomba.

2. Nos últimos dias e em reação aos ataques (uma das estações escolhidas ficava abaixo do prédio da Lubyanca) foram mortos dois chefões do chamado Emirado Cáucaso.

Os líderes mortos, Anzor Astamirov e Said di Buriazia, eram ligados ao movimento salafita voltado, segundo sustentavam, a liberar o Cáucaso islâmico dos “infiéis” russos.

3. O primeiro-ministro Vladimir Putin não abre informações sobre as organizações responsáveis. Não fala em chechenos nem em georgianos. Quanto aos separatistas das etnias daghestan, nogai, avara e karachay, o premiê Putin aponta-os como autores de muitos dos atentados consumados em 2009.

A preocupação de Putin está em não deixar o terror crescer e ameaçar as Olimpíadas de Inverno de 2014, em Soci, no Cáucaso. Soci foi escolhida pela comissão organizadora em 2007, quando parecia que Putin tinha o controle absoluto da região.

4. Segundo o secretário russo de Segurança Interna, Nikolai Patrushev, os ataques camicases da última segunda-feira podem ter sido organizados por georgianos. Mas ele não descarta os chechenos.

Wálter Fanganiello Maierovitch