Estimados milhares de leitores, nesse dia 12 o nosso estimado São Paulo FC mostrou com quantas tábuas se faz um subcampeonato, tornando-se Subcampeão da estimada Copa Subamericana, aquela que serve de prêmio consolação para quem não disputa ou vence a Libertadores.

O nosso estimado São Paulo FC teria se sagrado campeão, com direito a foto, faixa e delírio da torcida, se tivesse se concentrado em algo que o seu time aparentemente sabe fazer – jogar bola -, e deixado de lado o que o clube parece preferir fazer, que é fazer feio na frente de todo mundo. 
 
O que surge nessas horas é uma das mais lamentáveis facetas ainda vivas no futebol brasileiro, que é a demonstração inequívoca despreparo dos seus dirigentes.
Olhando para eles, presidentes de clubes, vice-presidentes e diretores, eu fico pensando se o teste de seleção para cartola de futebol no Brasil não é o mesmo utilizado para selecionar motoristas de ônibus no Rio de Janeiro. Teste daqueles em que se o sujeito mostra um mínimo de bom senso e estabilidade na direção, não passa.
 
Zagueiro da velha escola econômica de Frankfurt, sempre achei que o atual nível de dinheiro que rola pelos gramados brasileiros seria o suficiente para depurar melhor essa turma, separar joios e trigos.
Minha visão se mostrou mais do que irreal. Podemos sim manipular milhões, bilhões, com a mesma tosquice que nos consagra de tempos em tempos, seja nas federações, CBF, ou clubes. Tristes trópicos.
 
Na semana passada tivemos uma demonstração prática de como esses novos tempos e o novo ambiente do futebol podem andar juntos. Creio que todos viram a inauguração da Arena do Grêmio. Um estádio muito, muito além de tudo que insiste em sobreviver no Brasil, e um projeto que somente foi possível porque dirigentes se comportaram como tal, e não como jagunços. Ali está um exemplo.
 
Olhando para o Morumbi ontem, comparando com a Arena, eu, você, o senhor aqui ao lado, todos podemos ver como ele é obsoleto. Talvez por isso os seus dirigentes se sintam tentados a se comportar de maneira obsoleta, a não conceder ao time visitantes a dignidade básica de treinar no campo onde o jogo vai ser jogado, de fazer o seu aquecimento de maneira civilizada. A consequência é o que se viu, um time menor se tornando vítima e saindo no meio da festa, estragando boa parte dela e transformando um potencial campeonato em um certeiro subcampeonato.
Isso é o que se ganha quando se substitui a inteligência necessária pela tal esperteza, a arma dos pouco inteligentes.
 
Não sei como se sentem os meus estimados leitores, mas como zagueiro que preza antiguidades como a ética, dentro e fora do campo, dá dó ver o que o futebol brasileiro segue sendo.
Um clube que se pretende grande não mantém um estádio que não passa de um elefante, mesmo que não exatamente branco, ou, se o mantém, exerce controle sobre ele e seus labirintos. 
 
Se deixou a segurança bater no time adversário, a direção do São Paulo FC foi conivente com um crime. Se não sabia do que estava acontecendo, foi negligente. Se não sabia que colocar seguranças em contato com um time argentino é receita para o desastre, foi ingênua, e sinceramente, não sei o que é pior.
 
Dirigentes brasileiros ainda acreditam na malandragem do jogo de pressão, de opressão, de estímulo à barbárie. Se o ônibus de um time adversário é agredido, isso é uma ofensa a todo o clube, a toda a sua torcida, a todas as pessoas decentes que vivem nessa cidade. Se isso acontece, é por negligencia ou por cumplicidade, porque as torcidas desorganizadas vivem por permissão, e não existem sem o oxigênio das benesses que o clube oferece.
 
Se um grande clube é maltratado ao visitar um país vizinho, ele somente pode permanecer grande se não cair no jogo de provocação ainda existente em ambientes mais primitivos do que os nossos. Se ele rebate na mesma moeda, não é, ou não permanece grande.
 
Com a soma de todas essas partes, o que vimos ontem foi um clube registrar no cartório da opinião pública a sua vocação para a pequeneza, coisa de quem almeja, no máximo, um subcampeonato.
A punição vem de muitas formas. Algumas delas foram os comentários que eu ouvi hoje pela cidade toda, que não teriam ocorrido se tivéssemos um campeão. 
 
Uma outra punição pode ser ainda a pior de todas.
O Manuel Carneiro da Cunha, neopaulistano com seu um ano de idade, vivendo longe do território do sagrado e imortal tricolor gaúcho do seu pai, ou do o co-irmão colorado da mãe, estava livre e desimpedido para escolher o seu clube do coração na cidade onde nasceu e vive. Desde ontem, estimados leitores, esse pai, com os poderes e limitações do cargo, vai fazer o possível para que o infante não realize escolhas que envolvam ultrapassagens do rio Pinheiros, porque entre os meus planos para ele, não está o de subcampeão do que seja.
 
Ainda assim, estimado São Paulo FC, tenho viva a memória admirada de quem o viu arrasar em Tóquio. Por isso, corrija-se, porque ainda há tempo e o bebê sabe dizer gol, mas sem maiores noções do que isso signifique. 
Viva e se comporte como um verdadeiro campeão, estimado SPFC, a única maneira nesse mundo de fazer com que os corações dos menininhos o escolham, e não a um outro qualquer. Os tempos são novos, esses meninos também, e eles querem mais do que nós queríamos. O amor deles é a grande e maior riqueza, e vale tudo para conquistá-lo, inclusive aprendermos a ser maiores do que nós mesmos, a todo o custo.
Fica a dica.