Estimados leitores, como no futebol, assim é na política. Se entra em campo quem não deveria sequer estar no banco, goleada pra oposição. Sempre foi, sempre será.
O Gremão dá o exemplo de como se faz, colocando o Barcos e mandando bala. Perguntem ao Flu o que eles acharam da estratégia gremista?
Já o nosso estimado PT nesses dias escalou mal, perdeu o controle do vestiário, e o resultado foi o que se espera nessas horas: todo mundo, até o Álvaro Dias e o Bolsonaro tirando casquinha da heroína nacional, que por sinal é nacional de Cuba, Yoani Sánchez. 
 
Caros leitores, turba serve para ser controlada. Turba descontrolada invariavelmente nos faz perder o mando de campo, no mínimo, e produz tragédias, com na Bolívia. Se existem infelizmente seres humanos cujo comportamento preferencial os aproxima de lemingues, loucos para se atirar do primeiro precipício que a tundra oferecer, a pior coisa que a gente pode fazer é deixá-los por perto. Lá na tundra, o comportamento deles é meramente suicida. Aqui no mundo real, eles suicidam e si mesmos e levam junto quem estiver por perto. E nesses dias, quem os deixou estar por perto, na realidade ou na versão que se impôs, foi o PT. 
 
Se a reportagem da Veja é verdadeira, e tudo indica que sim, eles fizeram jornalismo como ele precisa ser feito e sem invenções. Se houve mesmo a tal reunião na Embaixada de Cuba, se representantes de um país com o qual mantemos relações diplomáticas e de amizade efetivamente articularam uma perseguição a uma cidadã cubana em solo brasileiro, com o apoio desastroso do PCdoB e algum setor do PT, isso é, entre outras coisas, abuso da parte deles, traição da parte nossa.
Como cidadão brasileiro eu quero saber exatamente o que aconteceu, quem fez, o que fez e quem paga a conta.
O embaixador do tal país amigo ma non troppo tem que ser chamado a se explicar, e ai que a explicação não seja muito boa.  Porque isso equivale a invasão do sagrado solo nacional, estimados leitores. Agentes cubanos atuando no Brasil com algum tipo de consentimento do governo, ou de setores dele, é algo que aqui em casa é considerado falta grave.
 
Em outros tempos, agentes da repressão da Argentina, Uruguai, Chile, tiveram todas as facilidades do mundo para vir até aqui pegar os seus perseguidos para levá-los de volta e fazer horrores com eles. Voltamos a esses tempos de ilegalidade transnacional? Eu acho que não. Então, expliquem bem explicado.
Um representante do governo brasileiro esteve presente e não denunciou o fato ao governo a que serve? A presidente Dilma sabia disso? Duvido. 
O nosso Ministro das Relações Exteriores sabia? 
 
Ainda na reunião, e ninguém até agora negou o que a revista diz (e nada me entristece mais do que ver a Veja fazendo algo certo, acreditem), estiveram representantes do PCdoB e do PT. Os resultados a gente viu nos eventos em Salvador, Feira de Santana, Brasília e São Paulo. Um bando de pau mandado gritando estupidezes para uma mulher que está aqui, ao que se sabe, como convidada, como cidadã de um país amigo, como jornalista que publica no seu blog a sua opinião sobre a realidade e o regime de Cuba, o que ela, como cidadã cubana tem todo, mas todo mesmo, o direito de fazer.
 
Portanto, pelo que vemos, a tal reunião aconteceu, e o que foi decidido nela está acontecendo. E tudo bem?
Meu país foi invadido por uma decisão estrangeira, gente que segue ordens de países estrangeiros está nesse momento tumultuando eventos no sacrossanto território nacional, e, estimados leitores, como diria Elizabeth II, a rainha, “We are not amused”.
E o pior, caros leitores, é que isso não tem nada a ver, não pode ter nada a ver, com o PT que importa, ou seja, o que manda na banda. Isso é coisa dos coitadinhos órfãos da gloriosa revolução socialista que nunca aconteceu e nunca vai acontecer, e que, de tempos em tempos, precisam sair pra rua e gritar, bradar, berrar, acusar alguém de ser agente do imperialismo, ou ir lá puxar o saco do Ahmadinejad por alguma razão incompreensível.
 
O erro do PT é deixar que esse pessoal siga escondido debaixo da saia, fingindo que são revolucionários lutando por alguma coisa, e não um bando de coitados tentando assustar uma moça que veio aqui, ao que se saiba, sem combinar com os russos e fazer qualquer coisa que não seja o seu direito em uma democracia. Ah, Cuba não é uma democracia?
Nessa semana insólita, a oposição deitou e rolou, e a opinião pública deixou claro o que pensa a esse respeito. A opinião pública brasileira se sentiu, se sente, enojada com o que viu e vê, caso vocês não tenham percebido, estimados dinossauros do PCdoB e setores neolíticos do PT, se é que vocês estiveram mesmo metidos nessa tolice de proporções cósmicas.
 
Atuar no meu país a partir dos interesses de uma potência estrangeira tem um certo sabor de traição, aqui em casa. E eu gostaria muito, muito, muito de saber afinal quem fez, o que fez e para que tentou fazer. Porque o resultado, como não poderia deixar de ser, foi um desastre. E ele nos deixou muito mal diante do mundo, que viu uma mulher sozinha ser atacada por turbas em diferentes cantos do nosso país, algo que simplesmente não representa, em nada, o que sentem e pensam os brasileiros, que certamente gostam tanto da democracia como qualquer outro povo do mundo, e detestam vê-la ser utilizada pra fins tão injustos e equivocados por parte de quem não tem nada, mas nada mesmo, a ver conosco.